Alimentos sobem e pressionam IPCA-15, dizem analistas.

18/09/2014

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Após três meses de queda, o grupo alimentação e bebidas deve ter voltado a subir em setembro. A reversão de tendência, afirmam economistas, deve ter sido o principal fator para explicar a aceleração da inflação na comparação com agosto, embora também sejam esperadas taxas mais altas para outros grupos, como vestuário e despesas pessoais.

De acordo com a média de 17 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu 0,34% em setembro, após alta de 0,14% no mês anterior. As estimativas para a prévia da inflação oficial, a ser divulgada amanhã pelo IBGE, vão de alta de 0,29% até 0,37%. Se confirmadas as expectativas, a inflação acumulada em 12 meses pelo índice vai superar o teto da meta perseguida pelo BC e alcançar 6,57% em setembro.


Após queda de 0,32% dos preços de alimentos e bebidas no IPCA-15 de agosto, Fabio Romão, da LCA Consultores, estima que o grupo tenha voltado para campo positivo, com alta de 0,08% na leitura prévia de setembro. "Em boa medida, esse movimento se deve à alta das carnes, com avanço já observado nos preços ao produtor", diz. Esse item deve deixar queda de 0,33% no IPCA-15 do mês passado e subir 1,4% nesta divulgação. Outros produtos vão seguir em deflação, mas menos intensa do que nas leituras anteriores, como é o caso dos tubérculos, raízes e legumes, que caíram 12,16% em agosto e agora devem recuar 7,36%. Além disso, observa o economista, a alimentação fora do domicílio também deve ficar mais pressionada.

A alimentação, porém, não é o único grupo que explica a expectativa de alta de 0,37% prevista por ele para o IPCA-15 no período, diz Romão. Os preços de vestuário, por exemplo, devem subir 0,15%, depois de queda de 0,18% no mês anterior, por causa da troca de coleções. No caso de transportes, Romão espera intensificação da alta de passagens aéreas, o que combinado ao fim do período de safra do etanol vai levar o grupo a deixar alta de 0,2% e subir 0,47% nesta leitura.

Adriana Molinari, economista da Tendências Consultoria, aponta outro grupo que vai contribuir para que o IPCA-15 suba para 0,30% no mês. As despesas pessoais tendem a ficar um pouco mais pressionadas em setembro, diz, com alta estimada de 0,4% no mês, após deflação de 0,67% em agosto, estima. "No mês passado, tivemos devolução muito forte das tarifas de hotel, depois de altas significativas por causa da Copa do Mundo". Sem esse efeito, diz Adriana, o grupo tende a acelerar, mesmo com perda de força dos serviços pessoais.

Por outro lado, afirma Adriana, a queda da tarifa de água e esgoto em São Paulo, com aumento do número de adesões ao desconto na conta para quem economiza água em São Paulo, deve compensar os reajustes de energia em cidades como Brasília, diz. Assim, o grupo habitação deve deixar alta de 1,44% em agosto para subir 0,78% nesta leitura.

Mesmo diante da aceleração do índice e da perspectiva de que alimentos continuem a subir nos próximos meses, Adriana revisou a estimativa de alta do IPCA no ano de 6,3% para 6,1%, em função de alteração no cenário para as eleições presidenciais. A consultoria passou a contar com uma vitória da candidata da oposição Marina Silva (PSB), o que manteria a taxa de câmbio mais valorizada até o fim do ano. A Tendências estima que o dólar irá encerrar o ano em R$ 2,18.

Esse fato, combinado a um mercado de trabalho mais fraco, deve levar a uma aceleração menor da inflação ao longo do último trimestre do ano, diz. "Temos ainda alguns riscos para este cenário, como a questão climática, por causa do período prolongado de seca, e mesmo em relação ao desfecho da campanha eleitoral, já que o cenário é bastante competitivo", pondera a economista.

Romão, da LCA, mantém estimativa de alta de 6,3% do IPCA no ano e acredita que não são desprezíveis os riscos de que a inflação venha a superar o teto da meta. "Os agentes econômicos podem antecipar reajustes de preços esperados para o ano que vem e esse movimento defensivo poderia trazer pressões adicionais", afirma.

Fonte: Valor Econômico