Alta em Chicago destrava venda antecipada de soja.

04/11/2014

Veja Também

O "repique" da soja na bolsa de Chicago na semana passada, reflexo da retenção das vendas pelos produtores americanos e da demanda aquecida pelo farelo feito a partir do grão, devolveu ritmo à comercialização antecipada da safra 2014/15 em Mato Grosso - ainda que momentaneamente.

Levantamento da Safras & Mercado indica que 25% da soja que será colhida no início de 2015 no Estado já está comprometida, ante 15% no início de outubro. As negociações estão atrasadas em relação aos 42% do mesmo período de 2013, mas a sinalização é de que estão menos travadas. "Boa parte da evolução no último mês é explicada pela alta do dólar ante o real e pela melhora dos preços em Chicago no fim de outubro", afirma Luiz Fernando Gutierrez Roque, consultor da Safras.


Em todo o Brasil, a consultoria estima que a comercialização média tenha avançado de 12% para 17,5% - abaixo dos 33% de um ano atrás. Assim como nos EUA, os produtores do Brasil vinham relutando em vender a soja à espera de uma reação nos preços, que embarcaram em uma espiral descendente com as previsões de colheita recorde nos dois países. Por isso, o recente "soluço altista" (a soja voltou aos US$ 10 por bushel, onde não figurava desde o início de setembro) renovou o ânimo dos produtores em Mato Grosso.

"Não tínhamos feito nada de vendas futuras, mas com a valorização da semana passada, aproveitamos para negociar 15% (30 mil toneladas) da nossa produção", conta Cleida Zilio, gerente comercial de um condomínio que reúne 16 produtores de Campo Novo do Parecis (MT).

O preço médio de venda foi de US$ 20, ou R$ 50 por saca, com entrega para fevereiro e março. Conforme Cleida, o nível atual de comercialização é inferior aos 40% do mesmo período de 2013, mas os preços ainda estão remuneradores. "O agricultor mais capitalizado, que tem um custo de produção de 33 sacas por hectare, acaba ganhando mais. Quem está menos capitalizado também ganha, mas a margem é mais apertada, porque tem um custo mais próximo de 45 sacas por hectare", explica.

Em Rondonópolis, outra importante praça de negociação da soja em Mato Grosso, a saca para janeiro foi negociada a R$ 50 por saca nos últimos dias, e para fevereiro, a R$ 49 - aquém do mesmo período de 2013, quando a commodity estava na casa dos R$ 53 por saca.

Entretanto, com a volta da soja ao campo negativo entre sexta-feira e ontem, uma nova freada foi notada. "Algumas tradings já baixaram o preço de compra de R$ 50 para R$ 49,50 para entregas em janeiro", diz Ariel Encide, da Diversa Corretora de Cereais. Em meio à expectativa para a divulgação do novo relatório de oferta e demanda mundial do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), no dia 10, Encide crê que o produtor brasileiro de soja continuará vendendo "meio picado".

Para Roque, consultor da Safras, o atual nível de US$ 10 por bushel em Chicago é um "bom suporte", que já precifica a abundante colheita global prevista. "Acredito que o mercado oscilará de US$ 10 a US$ 11 por bushel nos próximos meses", prevê.

Na frente de plantio, o clima mais úmido em Mato Grosso fez os trabalhos evoluírem de 20,1% para 40,5% da área prevista na última semana, conforme o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Ainda assim, há um atraso anual de 31 pontos percentuais. Em todo o Brasil, os trabalhos estão concluídos em 22,6% da área, atrás dos 44% do mesmo período de 2013, aponta a Safras & Mercado.

Fonte: Valor Econômico