Analistas projetam leve recuperação da indústria em outubro.

02/12/2014

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Ainda com estoques elevados, a indústria segue com dificuldades para reverter a tendência de desaceleração observada ao longo do primeiro semestre deste ano. Para economistas, a produção de bens duráveis deve ter recuado em outubro, influenciada principalmente pelo desempenho negativo do setor automobilístico, o que impediu um resultado mais positivo do ramo manufatureiro na comparação com setembro.

Após queda de 0,2% naquele mês, a média das projeções de 16 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data aponta para leve recuperação do setor em outubro, com alta de 0,4% da produção industrial na passagem mensal, na série com ajuste sazonal. As estimativas para a Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF), a ser divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), vão de queda de 0,1% até alta de 1,2% no período.

Em relação ao ano passado, porém, os economistas esperam continuidade da tendência de recuo da produção observada nos últimos sete meses. Para as instituições ouvidas pelo Valor Data, a atividade no setor recuou 3% em relação a outubro de 2013.

Para Rafael Bacciotti, economista da Tendências Consultoria, a indústria ainda não mostra tendência consistente de recuperação e deve apenas ter se recuperado da queda de 0,2% observada em setembro. "Os indicadores já disponíveis são mistos", diz o economista, que estima variação de 0,2% da indústria em outubro. A produção de veículos, por exemplo, caiu 2,6% na passagem mensal, de acordo com dados da Anfavea, que reúne as montadoras instaladas no país, com ajuste sazonal da consultoria, enquanto a expedição de papel ondulado teve queda de 0,1% na mesma comparação. "O ramo automobilístico tem peso importante e puxou para baixo o segmento de bens duráveis", diz.

Do lado positivo, diz Bacciotti, a carga de energia subiu 0,6% entre setembro e outubro, de acordo com dados do Operador Nacional do Sistema (ONS). O fluxo de veículos pesados em rodovias pedagiadas, que tem sido um bom indicador do comportamento da indústria, também subiu, afirma Mariana Hauer, do Banco ABC Brasil. Segundo a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), esse indicador aumentou 1,1% entre setembro e outubro.

Mariana, que projeta alta de 0,2% da produção industrial na passagem mensal, avalia que mesmo com expectativa de aumento da atividade no setor no quarto trimestre, ainda não há sinais claros de retomada desse ramo. "É mais uma recuperação após uma queda muito forte no primeiro semestre do que reversão de tendência", diz Mariana, mencionando que na comparação com outubro de 2013, a produção seguirá em queda, com retração estimada de 3,3%.

Para Bacciotti, da Tendências, a confiança dos empresários ainda muito debilitada e os estoques acima do desejado limitam desempenho mais favorável da indústria no fim deste ano, e por isso o economista estima queda de 2,7% da produção na média de 2014.

Para 2015, porém, o cenário é ligeiramente mais favorável e Bacciotti projeta crescimento de 1,5% do setor industrial. "Temos dissipação de algumas incertezas que perduraram no segundo semestre, como eleições", diz. A indústria também deve ter ganhos de competitividade em 2015, com desvalorização do câmbio e menores pressões vindas do mercado de trabalho, o que favorece alguma retomada do setor, pondera.

Mariana, do ABC, ainda não tem projeção para a indústria em 2015, mas faz avaliação semelhante. "A nova equipe econômica deve contribuir para melhorar a confiança dos empresários e o real mais desvalorizado deve ser positivo para exportações de manufaturados".

Fonte: Valor Econômico