Apesar da desvalorização dos grãos, ganho da Bunge cresce.

31/10/2014

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Puxado pelo melhor desempenho da operação de açúcar e bioenergia, o resultado líquido global da americana Bunge foi positivo em US$ 294 milhões no 3º trimestre fiscal de 2014, encerrado em 30 de setembro, e reverteu o prejuízo de US$ 148 milhões registrado no mesmo período de 2013. Nos nove primeiros meses do ano, a companhia acumulou lucro líquido de US$ 569 milhões, 238% maior que em igual intervalo do ano passado.

A receita líquida da Bunge no trimestre foi a US$ 13,6 bilhões, 7,4% abaixo de igual trimestre de 2013. Nos nove meses do ano, a receita foi a US$ 43,9 bilhões, ante US$ 44,9 bilhões de igual intervalo de 2013.


No segmento de agronegócios, o resultado operacional sofreu um recuo significativo de US$ 318 milhões no terceiro trimestre de 2013, para US$ 186 milhões no mesmo período deste ano. De acordo com o CEO da companhia, Soren Schroder, esse desempenho reflete uma desaceleração provocada pela queda nos preços internacionais no intervalo, especialmente na América do Sul.

Ele mencionou que, no Brasil, o menor nível de vendas antecipadas das novas safras foi o menor em muitos anos, enquanto que, na Argentina, os produtores seguram soja como forma de se proteger contra a inflação e a desvalorização da moeda local.

"Ajustando para impactos temporários, os resultados do agronegócio estão dentro das nossas expectativas. A transição de um cenário de oferta apertada para abundância de grãos e óleos vegetais tornaram a comercialização mais lenta, criando um ambiente desafiador", disse.

Já no segmento de açúcar e bioenergia, que vinha trazendo más notícias, a multinacional conseguiu reverter o prejuízo operacional de US$ 19 milhões do terceiro trimestre de 2013 para um lucro operacional de US$ 44 milhões no mesmo intervalo deste ano.

Conforme comunicado da Bunge a investidores, houve uma melhora nos preços do etanol no Brasil, assim como nas vendas de energia a partir de biomassa. A companhia destacou, ainda, a contribuição positiva de sua nova planta de etanol de milho na Argentina. "Estamos a caminho de finalizar o ano com resultado operacional e fluxo de caixa livre neutros nesse segmento". Schroder disse, porém, que o ambiente de mercado e as eleições no Brasil complicaram os esforços para concluir a revisão das operações sucroalcooleiras no Brasil. Mas ele reafirmou que a intenção não mudou e que continua olhando todas as possibilidades.

Na esteira das operações mais fracas com grãos, os negócios com fertilizantes também declinaram. O lucro operacional dessa unidade foi a US$ 12 milhões no trimestre, 20% abaixo dos US$ 15 milhões registrados em igual período de 2013. O segmento de "Food & Ingredients" manteve seu resultado operacional estável em US$ 74 milhões na comparação trimestral.

Fonte: Valor Econômico