Apesar da queda das vendas, AGCO anuncia aportes.

12/08/2014
Martin Richenhagen, CEO global da AGCO: confiança no mercado brasileiro.

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Depois de ver suas vendas na América do Sul baterem um novo recorde histórico em 2013, puxado pelo Brasil, a americana AGCO, uma das maiores empresas de máquinas agrícolas do mundo, deverá amargar, no mercado brasileiro, uma queda da ordem de 15% na comercialização. Mas não desistiu de investir no país. Em visita ao país, Martin Richenhagen, CEO global da multinacional, confirmou ontem aportes de R$ 18 milhões da controlada GSI em uma nova fábrica em Passo Fundo, Rio Grande do Sul.

A GSI atua nos segmentos de equipamentos para armazenagem e produção de proteína animal. "O Brasil apresenta uma grande escassez na infraestrutura de armazenagem de grãos", lembrou André Carioba, vice-presidente sênior e gerente geral da AGCO para a América do Sul, ao comentar o novo investimento. A múlti também acaba de concluir um aporte de R$ 3 milhões em um novo centro de distribuição de peças em Ernestina, também no Estado do Rio Grande do Sul.

E, mesmo com a tendência de queda das vendas de máquinas, ainda há alguma esperança de que a situação seja menos ruim do que o previsto, a depender do comportamento das cotações de commodities como soja e milho e das condições para financiamentos no âmbito do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), do BNDES - ainda que não haja otimismo nessa frente para o curto prazo. "A princípio não vejo nada muito diferente ao longo do ano [2014]", afirmou Carioba.

As vendas domésticas de máquinas agrícolas das empresas ligadas à Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) caíram 19,2% de janeiro a julho em relação aos primeiros sete meses de 2013, para 39.395 unidades. A entidade estima que a retração em todo o ano de 2014 será de 12%, para 73 mil unidades.

Carioba afirmou que as condições de financiamento do PSI para o próximo ano precisam ser conhecidas com antecedência para que os agricultores possam programar seus investimentos. Segundo ele, os produtores também já estão acessando o Moderfrota, reativado para financiar a aquisição de máquinas novas nesta safra 2014/15, cujo plantio terá início no mês que vem.

Os juros do Moderfrota ficaram iguais aos do PSI - 4,5% para pequenos produtores e 6% para grandes. Como ocorria no passado, os recursos para essa linha de crédito serão anunciados em cada Plano Safra. Agora, o governo federal destinou R$ 3,5 bilhões especificamente ao Moderfrota, R$ 4,5 bilhões para o PSI Rural e R$ 1 bilhão para o PSI Cerealistas. Os três programas totalizam R$ 9 bilhões, montante equivalente à demanda anual do segmento de máquinas agrícolas, de acordo com alguns de seus representantes.

A Anfavea, que representa as principais empresas desse mercado no país, considera que, com o Moderfrota, não haverá problemas de acesso a financiamentos como ocorreu com o PSI a partir de meados de dezembro de 2013 em decorrência da falta de regulamentação das novas condições do programa para 2014.

A AGCO prevê alta nas vendas internas de tratores voltados para a cultura do café neste segundo semestre, já que os preços da commodity subiram significativamente. Os produtos foram lançados este ano.

Por outro lado, a comercialização de colhedoras de cana-de-açúcar da empresa recuaram cerca de 40% nos primeiros sete meses deste ano ante o mesmo período de 2013, diante do aumento dos custos das usinas. Carioba observou que, entre suas principais áreas de atuação, essa foi a queda mais expressiva que observou. Enquanto a indústria nacional registrou queda de 16,6% nas vendas domésticas de tratores no acumulado deste ano, a AGCO computou recuo de 14,9%, conforme Carioba.

No campo das exportações, o cenário na Argentina, principal mercado para as máquinas agrícolas brasileiras, continua complicado. Os embarques da AGCO para o país vizinho recuaram 86,1% no primeiro semestre deste ano ante o mesmo período de 2013, para 110 unidades. Além de medidas do governo argentino que restringem os embarques brasileiros desde 2011, a fábrica da AGCO naquele país, inaugurada no ano passado, está produzindo quantidades modestas ante o previsto inicialmente. A produção não chega a 50 unidades por mês, afirma Carioba.

O mercado local de máquinas agrícolas está em baixa em função da situação macroeconômica do país. (Colaborou Fernando Lopes)

Fonte: Valor Econômico