Após cinco meses de demissões, indústria cria 24,8 mil vagas.

16/10/2014

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Após cinco meses de resultados negativos, a indústria registrou em setembro a abertura de 24,8 mil vagas formais no país, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Apesar da recuperação, o saldo total de geração de empregos no mês - de 123,7 mil postos com carteira assinada -, é 41,3% menor do que no mesmo período do ano passado.

Todos os setores mostraram desempenho mais fraco do que em 2013. Os serviços, entretanto, assim como nos meses anteriores, foram os que menos desaceleraram, contabilizando 62,4 mil vagas, contra 70,6 mil em setembro do ano passado.


O saldo positivo da indústria não se repete na abertura por segmento. Em setembro, 6 dos 12 ramos listados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) demitiram mais do que contrataram, inclusive o metalúrgico, com 1,8 mil cortes, o de material de transporte (menos 2,7 mil) e o mecânico (menos 841). Em São Paulo, que vinha puxando os resultados negativos do setor neste ano, a indústria como um todo abriu 64 vagas e fechou postos em cinco segmentos, com destaque para o ramo de material de transporte, que perdeu mil empregos.

Os números mostram, para Fabio Romão, da LCA Consultores, que as contratações temporárias do setor para reforçar a produção para as vendas de fim de ano, concentradas geralmente no período, estão mais fracas do que nos anos anteriores.

A instituição projetava adição de 40 mil vagas na indústria em setembro, patamar já inferior ao da média histórica para o mês, de 60 mil. No dado dessazonalizado pela consultoria, o saldo geral do Caged foi negativo em 12,5 mil vagas, contra abertura de 31 mil vagas em agosto, segundo o mesmo critério. "O resultado de setembro foi muito influenciado pela sazonalidade. Ele parece melhor do que o de agosto, mas não é", pondera.

Irineu Carvalho, do Itaú-Unibanco, lembra que, historicamente, a indústria demite esses temporários em novembro e dezembro - nesse caso, no fim de 2014 o setor registraria resultados negativos em sete meses. A construção civil, que também tem uma sazonalidade negativa nos últimos meses do ano, apurou em setembro saldo de vagas 71,6% menor do que o apurado no mesmo intervalo em 2013, apenas 8,4 mil empregos.

Para o economista, contudo, a geração de vagas formais pode apresentar uma melhora adicional no último trimestre, estimulada por uma leve reação da atividade. O movimento seria consistente com a projeção do banco para a variação do Produto Interno Bruto (PIB) no ano, de 0,1%, e estaria concentrado especialmente no comércio e nos serviços, que têm mostrado maior resistência à desaceleração da economia. O comércio aumentou o volume de funcionários em 36,4 mil, cerca de 32% a menos do que em setembro do ano passado.

O saldo dos serviços, por sua vez, foi apenas 11,6% inferior. Com isso, o setor já responde por 62,5% do total de vagas criadas no país entre janeiro e setembro. A maior resistência, para Romão, deve-se em parte ao crescimento ainda consistente da renda média do trabalho. Apesar do patamar inferior ao dos anos anteriores, continua avançando ao ritmo de 2% ao mês, no confronto com igual período do ano anterior.

Carvalho pontua ainda que o setor tende a ter menor volatilidade do que a indústria, por estar menos correlacionado ao PIB. As contratações em áreas como a de hospitais e escolas, por exemplo, variam menos com a atividade e não sofrem concorrência externa.

Ele frisa, contudo, que a abertura de postos em setembro no país foi fraca e que em outros momentos, quando a economia estava mais "saudável", os resultados no mês foram superiores a 150 mil.

Em relatório, o banco Fator avalia que o desempenho, apesar de modesto, mostra ainda uma resistência do mercado de trabalho, especialmente diante da piora consistente dos demais indicadores de atividade neste ano.

Romão, da LCA, acredita que será difícil para o governo cumprir a meta de um milhão de novos empregos com carteira assinada colocado em 2014 tomando como base a série sem ajuste, com contabiliza apenas as informações enviadas dentro do prazo legal. Sob esse critério, a projeção da consultoria é de 445 mil vagas. O dado acumulado no ano apresentado ontem pelo ministério, entretanto, que leva em conta os números submetidos pelas empresas fora do prazo até agosto e usa o dado sem ajuste apenas em setembro, mostra abertura de 904,9 mil postos.

Fonte: Valor Econômico