Após ondas de frio incomuns, calor chegou para ficar

12/12/2018
Tendência é de redução do nível de chuvas em algumas regiões, de acordo com a meteorologia (Foto: Thinkstock)

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As ondas de frio, como as vistas no centro-sul do Brasil no último fim de semana, passaram. A previsão meteorológica indica que a temperatura, que estava abaixo da média histórica para o início de dezembro nessa região, vai aumentar nos próximos dias. Em Mato Grosso do Sul, São Paulo e na região Sul, os dias já estão bastante ensolarados e tendem a seguir assim durante a semana.

Segundo a meteorologista Graziella Gonçalves, da Climatempo, a temperatura nessas áreas deve ficar cerca de 2ºC acima da média histórica do período. “Apesar de não parecer, é uma diferença bem grande, principalmente se considerarmos que nas últimas semanas as temperaturas estavam bem baixas no centro sul, em torno de 1ºC a 3ºC abaixo da média histórica”.

No Matopiba (confluência entre os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), explica Graziella, a previsão também é de bastante calor, mas as temperaturas devem se manter na média esperada para essa época do ano.

Grande parte das áreas produtoras das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e também o Matopiba, vinham recebendo volumes bem altos de chuva nas últimas semanas. A tendência para os próximos dias é uma diminuição considerável, explica Graziella. Com mais aberturas de sol, os trabalhos de campo devem ser favorecidos. A chuva, entretanto, não deve cessar completamente. Haverá, ainda, precipitações esparsas nessas regiões.

Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, a chance de voltar a chover é maior na quarta-feira (12/12). Isso porque ventos quentes e úmidos, vindo do Norte do país, voltam a soprar sobre o estado. Esse aumento da umidade vai facilitar a formação de grandes nuvens e trazer de volta as pancadas de chuva para algumas áreas do estado, como, por exemplo, a capital Campo Grande.

O calor na região não abranda, entretanto. Na segunda-feira (10/12), o estado já registrou, perto da fronteira com o Uruguai, 37,7°C de temperatura máxima – maior temperatura medida pelo INMET no Brasil neste dia. Com o ar mais úmido nos próximos dias, a tendência é que a sensação de abafamento aumente. A maioria das áreas do Mato Grosso do Sul vai registrar temperaturas acima dos 35°C nos próximos dias.

Diferente da maior parte do país, o Rio Grande do Sul atravessou um período de seca nas últimas semanas. Nos próximos dias, o Estado voltará a ter chuvas por conta da passagem de uma frente fria, que favorecerá a umidade do solo onde se desenvolve, neste momento, soja e milho.

A temperatura, porém, não vai cair. Apesar da passagem da frente fria, o estado não deve receber a entrada de uma massa de ar frio – assim, a temperatura deve se manter alta como no restante do país. A previsão é que a chuva no estado só diminuirá na última semana de dezembro.

O clima das últimas semanas, considerado atípico para esta época do ano, trouxe incerteza sobre a ocorrência e os efeitos do El Niño na agricultura. O fenômeno climático costuma trazer muita chuva pro sul e seca para o norte, ao contrário do que vinha ocorrendo.

“Ainda não estamos sentindo esses sintomas do El Niño porque não houve o que chamamos de acoplamento: a atmosfera não acompanhou a mudança de temperatura do oceano Pacífico”, afirma Graziella.

Ela explica que o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial já foi evidenciada: são três semanas seguidas com a temperatura acima de 0,5ºC, considerando a média histórica, quantidade considera como critério para indicar se haverá El Niño ou La Niña – no caso dela, há resfriamento das águas.

“Então tudo indica que sim, veremos os efeitos do El Niño, mas eles podem demorar um pouco para aparecer. Os ventos precisam seguir o padrão de aquecimento das águas do oceano”, explica a meteorologista. “Esses efeitos podem aparecer no Brasil entre o final de janeiro e o início de fevereiro. Até lá, regiões que normalmente enfrentam seca com o fenômeno ainda terão chuvas favoráveis”.

Graziella pondera que o cenário esperado para esta semana – chuvas no Sul e tempo um pouco mais seco no restante do país, em relação às últimas semanas chuvosas – ainda não pode ser considerado um reflexo do El Niño.

Fonte: Globo Rural.