Após 2,4 mil demissões, Sertãozinho faz pacto social para enfrentar crise.

05/01/2015

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Considerada um dos principais centros nacionais de produção de açúcar e etanol, Sertãozinho (SP) se une para evitar que a situação socioeconômica, em desaceleração há pelo menos três anos, seja prejudicada ainda mais pela crise na indústria sucroalcooleira. Em um pacto social assinado no final de dezembro, comerciantes, empresários e Prefeitura estabeleceram uma série ações com o objetivo de minimizar as dificuldades enfrentadas pelos 2,4 mil trabalhadores demitidos das metalúrgicas até novembro e que, consequentemente, vem refletindo em queda nas vendas, na arrecadação municipal e na sobrecarga dos serviços públicos.

Contendo 12 compromissos assumidos pelos signatários, entre eles bancos, supermercados, planos de saúde e entidades de classe, o documento vale por 90 dias, quando iniciará a próxima safra da cana-de-açúcar. O secretário de Indústria e Comércio de Sertãozinho, Carlos Roberto Liboni, afirma que a intenção é que todos os setores voltem se reunir em março para avaliar o resultado das medidas e, eventualmente, estender o pacto. “A expectativa para o próximo ano continua sendo preocupante. Por sermos totalmente dependentes da cadeia produtiva do etanol, se não houver investimento, vamos parar. Fazer a manutenção dessa indústria não é suficiente, não resolve o problema”, diz Liboni

Entre as medidas adotadas no pacto, está a composição de uma cesta básica social, sem margem de lucro aos supermercados da cidade, com preço de R$ 69,90. As embalagens serão pagas pelo Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise-Br) e pela Associação Comercial e Industrial de Sertãozinho (Acis). “Nós identificamos que o problema não se resumia a ajudar a indústria porque o comércio começou a ser afetado, a inadimplência aumentou. Então, decidimos liderar um processo com todos os setores envolvidos”, afirma o secretário.

As operadoras de plano de saúde também se comprometeram a manter as mensalidades aos desempregados e familiares, pelos valores cobrados nos contratos corporativos. Além disso, futuros reajustes das tabelas de serviços prestados poderão ser parcelados, de acordo com avaliação prévia pelas operadoras. “O desemprego gera inadimplência muito forte no comércio. Em paralelo a isso, também passa a haver sobrecarga no setor público. O trabalhador perde o plano de saúde, vai para a rede pública, precisa de assistência social. Isso causa um desequilíbrio forte na cidade, ou seja, a demissão em massa não é uma questão isolada.”

Demissões e dívidas
Liboni explica que 70% do Produto Interno Bruto (PIB) de Sertãozinho depende da cadeia produtiva do açúcar e etanol. Em 2014, quando duas usinas fecharam as portas e outra entrou com pedido de recuperação judicial, a indústria metalúrgica responsável pela fabricação e manutenção de peças ficou vazia e parou. As férias coletivas não foram suficientes para manter o quadro funcional e, nos dez primeiros meses do ano, a cidade perdeu 2,1 mil postos de trabalho - redução de 163% em comparação com o mesmo período do ano passado.

A principal consequência das demissões em massa foi a inadimplência. Por isso, o Banco do Brasil, que também assina o pacto social, se comprometeu a renegociar as dívidas dos trabalhadores desempregados, mesma atitude que será tomada pelos comerciantes. Já a Prefeitura, firmou o compromisso de suspender a cobrança de débitos posteriores a 2011. "Embora seja recomendação do Tribunal de Contas o uso de procedimentos coercitivos de cobranças, como protesto em cartório e protocolo no Serasa, a Prefeitura não usará, no período, tais procedimentos", consta no documento. 

Fonte: G1.com