Avanço da presidente Dilma derruba mercados.

22/10/2014

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O avanço da presidente Dilma Rousseff (PT) na corrida presidencial, revertendo o quadro até então mais favorável ao candidato Aécio Neves (PSDB), trouxe o retorno do mau humor aos mercados, com os investidores promovendo um realinhamento dos preços dos ativos domésticos.

Descolando do cenário externo, a bolsa brasileira caiu 3,44%, em meio ao tombo dos papéis do chamado "kit eleições", com o Ibovespa encerrando em 52.432 pontos, enquanto o dólar subiu 0,60%, fechando a R$ 2,4779.

A maior cautela diante da incerteza com o cenário eleitoral também levou a uma alta das taxas de juros futuros na BM&F, principalmente dos contratos com vencimentos mais longos, mais ligados à percepção de risco. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para 2021 fechou a 11,80%, ante 11,58% do pregão anterior.

As três pesquisas eleitorais divulgadas na quarta-feira mostraram uma recuperação da presidente Dilma no segundo turno da eleição presidencial.

A primeira a apontar uma vantagem da presidente Dilma em relação ao candidato Aécio Neves foi a CNT/ MDA, resultado que foi confirmado pelas pesquisas do Datafolha e Vox Populi, que apresentaram o mesmo resultado. Na sondagem divulgada pelo Datafolha, Dilma apareceu com 52% das intenções de voto e Aécio com 48%, no limite da margem de erro.

As pesquisas levaram os agentes de mercado a reduzir as apostas em uma vitória do candidato tucano, buscando uma posição mais defensiva.

Os ajustes mais intensos à onda ascendente de Dilma se deram logo na abertura dos negócios, com a escalada do dólar até os R$ 2,50 e uma disparada dos juros longos. Entre o fim da manhã e o início da tarde, o nervosismo já havia amainado, em meio ao ambiente externo benigno e a um típico ajuste de posições. Nada capaz, contudo, de impedir o enfraquecimento do real, a queda da bolsa e o avanço dos prêmios de risco.

Para o diretor de câmbio da Pioneer Corretora, João Medeiros, no caso de uma reeleição da presidente Dilma, o mau humor deve prevalecer nos mercados até que ela anuncie a formação da nova equipe econômica.

Segundo sócio-gestor da Queluz Asset Management, Luiz Monteiro, dada a indefinição sobre qual será a linha e a equipe econômica de um segundo governo Dilma, o nervosismo nos mercados aumenta quando a presidente lidera as pesquisas eleitorais. Além disso, em caso de uma deterioração das expectativas com a vitória de Dilma, o Banco Central pode apertar a política monetária e intervir no câmbio para amenizar uma eventual depreciação do real. "São tantas variáveis em jogo que é muito difícil assumir uma posição mais estrutural. O mercado pode acordar estressado na segunda-feira [após as eleições], mas ser surpreendido logo em seguida por anúncio de um ministro da Fazenda mais bem visto pelos investidores", afirma.

Até o momento a presidente sinalizou apenas a troca de comando do Ministério da Fazenda, mas não anunciou quem comporia a nova equipe econômica.

Na bolsa, os papéis do "kit eleição" - formado por estatais e bancos, mais sensíveis à possível troca de comando no país - foram os mais penalizados ontem, diante da maior probabilidade de reeleição do governo atual. "A Dilma está em uma curva ascendente, a caminho da urna, faltando apenas uma semana para a eleição. Isso é o que está assustando o mercado, que apostava em vitória de Aécio", diz o estrategista da CM Capital Markets, Marco Aurélio Barbosa.

Os papéis da própria bolsa, BM&FBovespa ON (-8,23%) registraram a maior baixa do Ibovespa, seguidos pelas ações do "kit eleição", com Eletrobras PNB liderando as perdas entre os papéis desse grupo (-7,88%), seguido pela PDG Realty ON (-7,75%). "Os investidores podem estar enxergando um estreitamento do mercado brasileiro no ano que vem com a reeleição de Dilma e por isso estão penalizando as ações da bolsa", acredita Barbosa. Somente nesta semana, o Ibovespa acumula baixa de 5,91%.

Na ponta positiva do índice sobraram basicamente exportadoras, que tiram proveito de um cenário de alta do dólar com a continuidade do governo Dilma, como Fibria ON (2,98%), Suzano PNA (2,52%) e Embraer ON (2,09%). Santander Unit (2,46%) também subiu forte, uma vez que o papel agora está "travado" pela oferta de troca por recibos (BDR) do banco espanhol.

Fonte: Valor Econômico