Bolsa brasileira apanha dos pares globais em 2014.

22/12/2014
Siqueira, do Citibank: dentre emergentes, preferência recai sobre Ásia em 2015.

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A maior popularização dos investimentos no exterior ou atrelados a ativos internacionais ganha respaldo no desempenho do principal mercado mundial ao longo do ano: o americano. Embora com variação menor que em períodos anteriores, as bolsas do país seguem como grande destaque, renovando seguidamente pontuações máximas. O índice S&P 500 avançava 11,5% em 2014 até 18 de dezembro e caminha para o terceiro ano seguido de ganhos. O índice defende altas de dois dígitos desde o fim de 2008, com exceção de 2011, quando ficou estável.

Em um grupo composto por 16 bolsas mundiais, a trajetória da brasileira só não perde para a da Rússia, país mergulhado numa crise político-econômica com forte estrago sobre seu mercado financeiro, e para a da Colômbia. Enquanto o Ibovespa acumulava queda em dólar de 17,3% no ano, o índice russo RTS tinha baixa da ordem de 47% e a bolsa da Colômbia perdia 26%.

Na direção oposta, chama atenção a forte alta dos mercados de ações da Venezuela (44%), da China (40,8%) e da Índia (26,1%).

Apesar do embalo visto nos últimos anos e de a cautela aumentar pelo receio natural de um movimento de correção, grande parte dos gestores e analistas de mercado permanecem otimistas com o quadro americano e não veem as bolsas do país como caras pelo fato de as empresas estarem espelhando a melhora da economia com crescimento dos lucros. As apostas para 2015 seguem no país, mas outras regiões também começam a despontar.

O estrategista-chefe global do J.P. Morgan, David Kelly, diz gostar tanto do mercado americano quanto do europeu, tendo no segundo maior preferência pelo potencial de surpreender diante das baixas expectativas na região. Com posição "underperform" (abaixo da média de mercado) para o Brasil, Kelly diz considerar o mercado barato no momento, mas não vê o país como promissor para o curto prazo.

Na análise dos mercados emergentes, o Brasil não lidera o foco. O estrategista do Citibank, Fernando Siqueira, afirma que, no grupo, a preferência da instituição recai sobre a Ásia, em parte por considerar que os preços não estão altos, mas também por enxergar uma melhora dos resultados. O fato de a região como um todo ser mais importadora que produtora de commodities contribui para a avaliação.

Já na América Latina, diz Siqueira, o Citi não tem nenhuma grande visão sobre países específicos, com a seleção de nomes individuais. "Todos os países da América Latina estão em situação delicada, crescendo pouco, com as moedas de forma geral se depreciando, e não há nada no curto prazo que vá mudar essa tendência", afirma.

Um dos maiores problemas enfrentados na região diz respeito à queda dos preços das commodities e o consequente impacto sobre a expansão das economias, dado o forte vínculo com a produção. Há ainda bolsas com grande concentração de exportadoras de commodities, o que é outro fator negativo.

No caso do México, ainda que sua bolsa perca cerca de 11% em 2014, as reformas estruturais em curso no país seguem entusiasmando investidores. O mercado pode até estar mais caro, mas as oportunidades no médio prazo se mostram atrativas.

O estrategista da Santander Corretora, Leonardo Milane, ressalta que o PIB mexicano tem forte correlação com o americano, o que, em meio à melhora dos indicadores daquele país, também tende a jogar a favor do México.

Milane espera um desempenho discrepante para as bolsas de economias emergentes em 2015 e coloca no efeito da variação das commodities um peso relevante para definir se o crescimento mundial poderá aumentar no próximo ano.

Para o mercado acionário americano, o estrategista da Santander Corretora tem uma visão favorável e enxerga o país em situação oposta à do Brasil, diante de juros baixos, inflação sob controle, preços de imóveis voltando a níveis mais normalizados, desemprego em queda e aumento da confiança.

O estrategista-chefe do Itaú BBA, Carlos Constantini, apontou em encontro com a imprensa neste mês que, em 2014, os mercados desenvolvidos voltaram a ter um desempenho muito melhor que o de emergentes de modo geral, diante principalmente do fim do superciclo de commodities. Nesse contexto, Constantini destacou o baixo retorno do Brasil na comparação com os emergentes, com a imposição de uma forte volatilidade, concluindo que o ano não foi fácil. Para o estrategista, o mercado doméstico está mais caro que grande parte do mundo, com exceção de países como Rússia, China e Colômbia.

Fonte: Valor Econômico