Commodities Agrícolas.

16/10/2014

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Turbulência externa Diversos fatores macroeconômicos e fundamentos imediatos derrubaram o açúcar demerara ontem na bolsa de Nova York. Os lotes para maio de 2015 fecharam em 16,79 centavos de dólar a libra-peso, com baixa de 28 pontos. Dados fracos da economia dos EUA levaram a uma onda de aversão ao risco que pesou sobre os mercados internacionais, inclusive o agrícola. Um novo recuo do petróleo, a indefinição do cenário eleitoral no Brasil e a alta do dólar aumentaram a pressão sobre os preços do açúcar. Além disso, o produto está remunerando mais que o etanol, o que pode fazer as usinas elevarem a produção, enquanto os estoques das tradings seguem altos. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,38%, para R$ 47,70 a saca de 50 quilos.

O fantasma ebola Os investidores do setor de cacau ignoraram o clima de aversão ao risco nos mercados financeiros ontem e, assombrados pelo avanço da epidemia de ebola no oeste da África, conduziram os futuros da amêndoa a outra alta na bolsa de Nova York. Os lotes para março fecharam em US$ 3.122 a tonelada, avanço de US$ 43. Ainda não foram registrados casos na Costa do Marfim. Porém, a preocupação é tanta que a Fundação Mundial do Cacau doou US$ 680 mil para combater a doença na África. Além disso, em um evento do setor em Copenhague, a indústria Mars estimou que será preciso aumentar a oferta global em 500 mil toneladas em cinco anos para acompanhar o consumo mundial de chocolate. No mercado doméstico, os preços na Bahia ficaram entre R$ 109 e R$ 110 a arroba, segundo a TH Consultoria.

Pressão em Chicago Os contratos futuros de soja reverteram parte da valorização das sessões anteriores e registraram queda ontem na bolsa de Chicago. Os lotes para janeiro fecharam em US$ 9,61 o bushel, com recuo de 12,25 centavos. O mercado financeiro foi marcado por fortes quedas devido ao clima de aversão ao risco após dados ruins da economia dos EUA. Nos últimos dias, os grãos têm oscilado sob forte impacto do cenário financeiro, que busca nas commodities um "porto seguro" ante a fraqueza nos mercados, diz Pedro Dejneka, da AGR Brasil. A colheita nos EUA, ainda que atrasada, também pressiona as cotações. Os trabalhos devem secacelerar nesta semana com o clima mais seco no Meio-Oeste. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca em Paranaguá manteve-se em R$ 61,17.

Queda expressiva As cotações do milho cederam ontem na bolsa de Chicago ante um cenário externo de aversão ao risco e com a pressão da colheita nos EUA. Os lotes para março de 2015 fecharam em US$ 3,605 o bushel, queda de 9,5 centavos. A colheita nas lavouras americanas ainda está atrasada. Na comparação com a média histórica, os trabalhos têm um atraso de 20 pontos. Porém, o ritmo deve aumentar esta semana com um clima mais seco no Meio-Oeste. Daniel Flynn, da Price Futures Group, diz que os produtores temem que o avanço da colheita aumente ainda mais a pressão no mercado. O cenário de aversão ao risco nos mercados internacionais também colaborou para a pressão sobre as cotações. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho caiu 0,39%, para R$ 22,78 a saca.

Fonte: Valor Econômico