CTC na dianteira das pesquisas de uma semente para a cultura.

26/08/2014

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Dentre as diversas tecnologias desenvolvidas e em fase de pesquisa para resolver o gargalo no plantio de cana, a mais ambiciosa é a que busca uma semente de cana-de-açúcar. No mercado, comenta-se que há dois projetos com esse objetivo no país, mas o único público até o momento é o do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), uma empresa que tem como controladores a Copersucar e a Raízen (Cosan / Shell).

Com recursos do BNDES e da Finep, o projeto deve resultar no lançamento comercial de uma semente de cana entre 2017 e 2018, segundo o diretor do CTC, o pesquisador William Burnquist.

A nova tecnologia, diz o executivo, vai significar uma grande economia de tempo no plantio de cana. Atualmente, uma usina padrão leva três meses para fazer o plantio de sua área anual de renovação, geralmente equivalente a 16% de sua superfície total. Com o desenvolvimento de sementes, esse trabalho será feito em dez a 20 dias, segundo ele.

O projeto do CTC vem sendo desenvolvido desde 2008, mas ainda não chegou a um resultado final, explica Burnquist. Um dos desafios, diz, está no aspecto biológico, ou seja, criar uma semente que não seja, por exemplo, sensível à estiagem. Outro desafio se refere à automação do sistema de produção das sementes em escala comercial. "Hoje há um sistema semimecanizado, ou seja, ainda envolve muitas pessoas. Mas temos parceiras para desenvolver um sistema de automação". Já para cultivo dessas sementes, segundo ele, é possível adaptar as plantadeiras atuais de milho e de soja.

A semente é feita de uma região específica da cana, onde fica o material vegetativo da planta. Esse material é induzido a produzir uma semente artificial, explica Burnquist. De que parte da planta o material é retirado exatamente é algo mantido em sigilo. "Essa informação é estratégica, pois faz diferença no processo, é a parte mais apropriada da planta", justifica o executivo.

A grosso modo, com a parte vegetativa da cana se cria um embrião que será nutrido e protegido (encapsulado) por um endosperma (um tecido vegetal, normalmente feito de amido do milho). De acordo com Burnquist, com a semente, haverá uma redução significativa do índice de falhas do canavial. Com o método convencional de plantio, esse índice é de 10% a 15%. "Com a semente, esse percentual vai cair a menos de 5%", afirmou o executivo do CTC.

Fonte: Valor Econômico