Dólar segue em alta, mas ativo não atrai gestores.

28/10/2014
Carlos Eduardo Rocha, do Brasil Plural, prefere comprar ações de exportadoras.

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Por mais que tenha flutuado ao sabor das pesquisas eleitorais, o câmbio era a variável para a qual os gestores de recursos tinham mais convicção ao longo dos últimos meses. A tendência, concordavam, era de desvalorização do real contra o dólar, dada a expectativa de uma política monetária menos expansionista por parte do governo americano.

E até se confirmou ontem a expectativa de que a aversão ao risco levasse a uma desvalorização adicional do real em seguida à reeleição de Dilma Rousseff, mas sem grandes choques. E, apesar de todos os fatores apontando para a continuidade dessa tendência, a tese não tem sido suficiente para os gestores alocarem patrimônio na moeda americana.

"O custo de carrego é muito alto", diz Carlos Eduardo Rocha, o Duda, sócio responsável pela gestora do Brasil Plural. Ele prefere estar exposto ao câmbio via bolsa. "Tenho dificuldade de ver, para o curto prazo, quanto o dólar vai se apreciar a partir dos níveis atuais", completa, em referência à falta de previsibilidade do cenário.

Além disso, os gestores sempre lembram que o custo de oportunidade para quem aloca recursos em dólar é o juro brasileiro, em patamar elevado e ainda com possibilidade de alta no futuro, dada a resistência da inflação - alimentada inclusive por um dólar mais forte.

A alternativa preferida pelo gestor do Brasil Plural para ficar exposto à moeda americana hoje é via seleção de empresas exportadoras que vão se beneficiar de um dólar mais valorizado. Esse critério não basta, entretanto, para que elas sejam escolhidas. Para compor o portfólio, as companhias precisam ter perspectiva de bons resultados a despeito do câmbio. Um exemplo, cita, é Ultrapar, que tem atividades no segmento petroquímico, com preços em dólar, mas também tem bons fundamentos, com destaque no segmento em que atua.

Humberto Vignatti, gestor de renda fixa da gestora Porto Seguro Investimentos, aponta que a pressão externa para valorização do dólar, dada a expectativa de elevação dos juros nos Estados Unidos, perdeu um pouco de força recentemente. "O mercado agora, por conta principalmente da dinâmica de crescimento fraco na Europa, começa a questionar um pouco o momento em que o Fed poderia elevar a taxa de juros", afirma.

Enquanto no exterior fala-se na possibilidade de o governo americano postergar a alta dos juros, o que pode ser interpretado como um ponto contra um real mais fraco no curto prazo, Vignatti diz que os fundamentos domésticos continuam a justificar a desvalorização da moeda brasileira. A necessidade de equilibrar as contas externas, por exemplo, requer um real mais desvalorizado, aponta.

"Nosso cenário ainda é de desvalorização cambial, mas parte importante desse movimento já aconteceu nos últimos 45 dias", afirma Vignatti. A Porto Seguro espera para o fim deste ano o câmbio perto do nível atual, mas para o longo prazo a expectativa da casa é de um processo de depreciação gradual da moeda brasileira, chegando a níveis entre R$ 2,60 e R$ 2,65 por dólar.

Apesar da volatilidade trazida pelo ruído de curto prazo, com a reeleição de Dilma Rousseff, a SulAmérica Investimentos não trabalha com um cenário de depreciação relevante, e espera uma taxa de câmbio entre R$ 2,50 e R$ 2,55 por dólar, segundo Marcelo Mello, vice-presidente de investimentos da gestora de recursos. (Colaborou Beatriz Cutait)

Fonte: Valor Econômico