Dólar sobe em sintonia com cenário externo.

03/12/2014

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O dólar fechou em alta ante o real ontem, acompanhando o movimento de valorização da moeda americana no exterior, em meio a um cenário de maior aversão a risco. No mercado local, incertezas em relação à continuidade do programa de intervenção no câmbio e à decisão sobre a taxa básica de juros, que será anunciada hoje pelo Copom, contribuiu para uma postura mais cautelosa dos investidores.

O dólar comercial subiu 0,54%, encerrando a R$ 2,5725.

A alta da moeda foi pressionada também por uma saída maior de recursos, principalmente por parte de investidores estrangeiros.

O cenário de maior aversão a risco, com a queda do preço do petróleo e a sinalização do vice-presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Stanley Fischer, de que a alta dos juros nos EUA pode estar mais próxima, reduziu o apetite por ativos de emergentes, sustentando o fortalecimento global do dólar.

Os investidores seguem no aguardo de sinalizações do BC sobre a continuidade do programa de intervenção no câmbio e da decisão sobre a taxa básica de juros, que será divulgada hoje ao fim da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

O mercado de juros atualmente reflete que a aposta mais forte é de alta de 0,5 ponto percentual da taxa Selic. Um aumento menor que esse, de 0,25 ponto, poderia, então, desagradar parte dos investidores e aumentar a pressão sobre o câmbio no curto prazo.

Há também uma dose de ceticismo em relação à capacidade do governo brasileiro de promover o esperado ajuste fiscal. O mercado discute a viabilidade do cumprimento da meta de superávit primário de 1,2% para 2015 em meio a uma economia estagnada e a perspectiva de atividade global mais fraca, que podem reduzir fluxos ao Brasil e dificultar ainda mais o financiamento do déficit em conta corrente.

Ontem, o BC ofertou US$ 1 bilhão por meio do leilão de linha de dólar com compromisso de recompra para abril de 2015. O BC costuma fazer leilões de linhas de dólares no fim do ano, buscando suprir a demanda por moeda física devido a um aumento sazonal de saídas de recursos, com o envio de remessas de lucros e dividendos.

Em novembro até dia 21, o fluxo cambial está negativo em US$ 2,938 bilhões. A perspectiva é que o fluxo encerre o mês negativo diante das saídas de estrangeiros verificada nesta semana.

Os investidores ampliaram as apostas no fim do programa de oferta diária de swaps cambiais após declarações do presidente do BC, Alexandre Tombini, na semana passada. O diretor de câmbio do Banco Rendimento, Carlos Eduardo de Andrade Jr., considera a possibilidade de o BC alterar as condições atuais do programa, que consiste na oferta diária de US$ 200 milhões. No entanto, ele ainda vê o dólar terminando o ano próximo dos atuais níveis.

Fonte: Valor Econômico