Energia e levedura ajudam grupo Zilor a reverter prejuízo.

23/07/2014
Morelli, da Zilor, diz que resultado sofreu impacto de R$ 30 milhões por conta do ajuste no valor de ativos biológicos.

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O grupo sucroalcooleiro Zilor, que tem três usinas de cana-de-açúcar no Estado de São Paulo, conseguiu driblar o mau momento do açúcar e do etanol e teve resultado positivo na safra 2013/14, encerrada no dia 31 de março.

A empresa, uma das principais sócias da trading Copersucar, com 11,05% de participação, aproveitou os preços recordes da energia no primeiro trimestre deste ano e também ampliou os negócios com levedura da cana, que têm maior valor agregado. A estratégia contribuiu para que, no exercício encerrado em 31 de março, a empresa obtivesse um lucro líquido de R$ 800 mil, revertendo o prejuízo de R$ 79 milhões da safra 2012/13.

O resultado líquido da temporada sofreu impacto negativo, mas sem efeito caixa, de R$ 30 milhões vindo do ajuste para baixo do valor justo dos ativos biológicos (lavouras de cana-de-açúcar), segundo o diretor de relações com acionistas e administrativo da Zilor, José Carlos Morelli. No ciclo anterior, o 2012/13, esse ajuste gerou uma perda de R$ 64 milhões, o que justificou parte do prejuízo líquido daquele exercício.

Mas afora os ajustes contábeis, a empresa avançou em 2013/14. A moagem de cana foi praticamente estável - 10,6 milhões de toneladas, ante as 10 milhões de 2012/13 - mas o resultado operacional foi positivo em R$ 104 milhões, ante o prejuízo operacional de R$ 10,3 milhões na temporada imediatamente anterior.

Morelli afirma que, além da redução de despesas administrativas e com vendas - que recuaram 18% no exercício -, esse resultado foi potencializado pelos negócios de energia e de leveduras.

Ele detalha que a receita líquida da Zilor cresceu 2,7%, para R$ 1,534 bilhão, mesmo com o recuo de 28% no faturamento com açúcar, que recuou de R$ 660 milhões em 2012/13 para R$ 473 milhões em 2013/14. Houve, segundo Morelli, uma compensação vinda da receita com etanol - que avançou 19%, para R$ 700 milhões. A receita da divisão de levedura, que leva a marca Biorigin, foi a R$ 231 milhões em 2013/14, 22,8% acima dos R$ 188 milhões do exercício anterior. A receita com a venda de eletricidade cresceu 39% no exercício, para R$ 127,786 milhões, ante os R$ 91,6 milhões de 2012/13.

No caso da cogeração, informa Morelli, houve uma receita adicional de R$ 30 milhões acima do esperado pela empresa, devido à geração de energia na entressafra da cana - período compreendido entre dezembro e março. "Compramos cavaco de madeira, bagaço e palha para produzir mais e aproveitar os preços recordes pagos pela energia no mercado spot no primeiro trimestre".

Com isso, subiu a participação desses dois produtos na receita total do grupo. De 12%, a fatia das leveduras passou a representar na última safra 15% do faturamento da Zilor. A participação da venda de energia saltou para 8,3%, ante 6% registrados no ciclo 2012/13.

Além de receita, essas duas operações geram uma elevada "margem de contribuição" para a empresa, acrescenta o gerente de contabilidade e tributos, Moisés dos Santos Barbosa. Tanto a energia quanto os derivados de leveduras têm como matéria-prima subprodutos da cana-de-açúcar (levedura, bagaço e palha da cana), portanto, custos mais baixos do que o do açúcar e do etanol.

Por conta das cotações deprimidas do açúcar, a Zilor decidiu, na última safra, reduzir em 12%, para 526,1 mil toneladas, a produção da commodity em suas usinas, localizadas nos municípios de Quatá, Lençóis Paulistas e Macatuba. Na direção contrária foi o etanol, cuja produção subiu - 16%, para 492,7 milhões de litros - puxando a receita a R$ 700 milhões, 19,4% acima da registrada no ciclo anterior.

A variação cambial na última temporada trouxe impacto para a dívida da empresa, 30% denominada em dólar. O endividamento líquido cresceu 5,1% ao fim do exercício 2013/14, para R$ 1,023 bilhão. "O efeito da variação do câmbio foi de R$ 48 milhões, sem efeito caixa", explica Moisés dos Santos Barbosa.

Ele afirma que, em termos absolutos, aumentou o custo médio da dívida, de 6,15% ao ano para 6,31%. No entanto, diz, houve redução relativa, considerando-se que em 2013/14 esse custo passou a 71% do CDI, ante 82% de 2012/13.

Fonte: Valor Econômico