Ibovespa perde 5% em uma semana.

10/09/2014
Para Figueredo, da Clear Corretora, investidor deve fazer pausa para reavaliar melhor o cenário do mercado, especialmente a corrida ao Palácio do Planalto

Veja Também

A bolsa brasileira chegou ontem a seu quinto pregão consecutivo de baixa, acumulando perda de 5,2% desde o pico deste ano, de 61.895 pontos, registrado na semana passada.

Apesar da queda expressiva no período, analistas já esperavam um movimento de correção mais forte desde o fim de agosto, que foi o melhor mês da bolsa neste ano, com alta acumulada de 10%. Desde o "fundo do poço" da bolsa, aos 44.966 pontos em 14 de março, o Ibovespa avançou 37,6% até o pico de 2 de setembro.

"O Ibovespa deve estancar o processo de correção dos últimos dias nos 58 mil pontos, onde existe um forte suporte gráfico. É nesse nível também que passa a chamada Linha de Tendência de Alta (LTA) do gráfico do Ibovespa, iniciada em março deste ano", explica o analista técnico da Clear Corretora, Raphael Figueredo.

"Depois de uma correção tão intensa, é natural que os investidores façam uma pausa nas vendas para reavaliar suas posições e analisar o cenário do mercado", afirma Figueredo.

O especialista ressalta que a parada não impede que o Ibovespa volte a cair nos próximos dias, porém o movimento tende a ser menos intenso. Nesse caso, a próxima parada do Ibovespa estaria nos 55 mil pontos.

No entanto, Figueredo permanece otimista em relação à bolsa brasileira. Ele destaca que, mesmo que o Ibovespa recue até os 55 mil pontos, a tendência do índice a longo prazo ainda é de alta. "O primeiro objetivo é os 63 mil pontos. Mas podemos esperar os 70 mil em breve, talvez no ano que vem", diz.

Tanto a alta da bolsa de março a agosto, quanto a queda dos últimos dias tiveram como pano de fundo a corrida ao Palácio do Planalto. Até o mês passado, o mercado apostava em vitória da oposição, cenário que ganhou força após a morte de Eduardo Campos e o avanço surpreendente de Marina Silva (PSB) nas pesquisas.

Porém, na semana passada, uma nova rodada de pesquisas eleitorais sinalizou que Marina teria parado de crescer na preferência do eleitorado, enquanto a presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) reagiu.


Ontem, o pregão foi marcado mais uma vez pela intensa volatilidade, com investidores reagindo à pesquisa CNT/MDA. A mudança na perspectiva da nota de risco de crédito do Brasil, de estável para negativa, pela agência Moody's, também serviu de incentivo à venda de ações.

A pesquisa mostrou piora nas intenções de voto de Marina Silva em relação a Dilma Rousseff no segundo turno. No entanto, o recuo foi mais ameno do que se especulava na segunda-feira no mercado, quando o Ibovespa recuou 2,45%.

No primeiro turno, segundo a CNT/MDA, Dilma teria 38,1% das intenções de voto (na pesquisa anterior ela tinha 34,2%), contra 33,5% de Marina (28,2% na pesquisa anterior) e 14,7% de Aécio (16,0% na anterior). No segundo turno, Marina teria 45,5%, mas estaria tecnicamente empatada com Dilma, que possui 42,7%. O mercado ainda aguarda a divulgação de mais três pesquisas nesta semana: Datafolha, Vox Populi e Ibope.

O mau humor nos mercados internacionais colaborou para manter a Bovespa pressionada. Investidores mostraram cautela diante das dúvidas sobre a política monetária nos Estados Unidos. Ontem foi a vez do presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, afirmar que os juros no Reino Unido também podem subir em breve.

O Ibovespa fechou em baixa de 0,87%, aos 58.676 pontos, com giro de R$ 8,937 bilhões. As ações do "kit eleição" - mais sensíveis às pesquisas e rumores eleitorais - oscilaram muito, mas terminaram o pregão em baixa, embora as perdas tenham sido mais amenas do que na segunda-feira: Petrobras PN (-1,01%, a R$ 21,48), Banco do Brasil ON (-0,43%, a R$ 32,35) e Eletrobras ON (-2,80%, a R$ 7,29).

TIM ON (2,10%) voltou a ser destaque de alta, depois de ter subido 6% no pregão anterior. O papel segue embalado pela expectativa de venda da empresa para as concorrentes Oi, Claro e Vivo. O mercado também cogita uma oferta independente por parte da mexicana América Móvil, dona da Claro.

Fonte: Valor Econômico