Indicador aponta queda de confiança no campo.

26/08/2014

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O Índice de Confiança do Agronegócio (IC Agro) calculado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) encerrou o segundo trimestre deste ano em 91,8 pontos, 10,9 pontos percentuais a menos do que no trimestre anterior.

Em linhas gerais, a piora do indicador refletiu sobretudo o aumento do descontentamento do setor como um todo - e das empresas de insumos em particular - em relação à situação da economia brasileira num momento em que, no mercado internacional, preços de commodities como soja e milho estão em queda. Os resultados da pesquisa refletem respostas válidas de 645 produtores agropecuários e 40 empresas de insumos.


"De forma geral, o agronegócio vive um momento mais difícil. Há um fator emocional, talvez influenciado pela proximidade das eleições, mas de fato alguns segmentos apresentam, atualmente, perspectivas piores do que no primeiro trimestre do ano", afirmou ao Valor Antonio Carlos Costa, gerente do Departamento do Agronegócio (Deagro) da Fiesp.

Conforme os resultados divulgados ontem, o índice que mede especificamente a confiança dos produtores agropecuários caiu para 93,7 pontos, 3,4 menos que no fim do primeiro trimestre. Em média, o indicador que mede a confiança dos agricultores recuou de 98,2 para 92,2 pontos na comparação, mas o dos pecuaristas aumentou de 93,7 para 98,1 pontos.

No caso do índice do produtor agrícola, pesou para a redução, além da desconfiança em relação à economia brasileira, a tendência de aumento dos custos de produção - ainda que a oferta de crédito permaneça como um fator considerado positivo e que a confiança naquilo que depende exclusivamente do setor continue em elevado patamar.

De acordo com Costa, produtores de soja, cana e laranja puxaram o resultado para baixo. São três dos produtos mais importantes do agronegócio brasileiro - a soja é o carro-chefe - que vivem cenários mais complicados para os preços recebidos e, como os demais, encaram alta de custos.

A força do preço pode ser verificada, por exemplo, na melhora do humor dos cafeicultores, que, apesar de toda a volatilidade provocada por problemas climáticos no Brasil, trabalharam com um cenário melhor no segundo trimestre.

Nesse contexto, observou Costa, questões que ficaram "mascaradas" nas pesquisas realizadas no quarto trimestre de 2013 e nos primeiros meses de 2014, como os gargalos logísticos e o câmbio pouco atraente para as exportações, voltaram a ganhar força.

Com preços, hoje, em patamares considerados melhores, os pecuaristas, não por coincidência, estavam mais confiantes em junho do que em março, apesar de "dividirem" com os agricultores preocupações semelhantes.

Assim, coube às indústrias de insumos que atuam na área de agronegócios o papel de "âncora" do índice de Fiesp e OCB. Na média, o indicador específico que mede a confiança das indústrias afundou do primeiro para o segundo trimestre - passou de 106,7 para 90,5 pontos -, influenciado pela piora das perspectivas tanto de companhias que atuam "antes da porteira" quanto daquelas focadas em vendas "depois da porteira".

Apesar de a confiança estar em baixa e de a pesquisa ter captado um grande descontentamento em relação ao governo, a maior parte (63%) dos produtores agrícolas ouvidos informou que vai ampliar seus investimentos em tecnologia, sobretudo no controle de pragas, doenças e ervas daninhas (79% do total que vai investir mais) e em sementes mais produtivas (71%).

No caso dos pecuaristas, 53% das respostas válidas obtidas pela Fiesp e pela OCB sinalizaram uma disposição de ampliar os investimentos, especialmente em busca de uma maior produtividade das pastagens (61% do total que vai investir mais).

Mais em www.fiesp.com.br

Fonte: Valor Econômico