LBR prevê obter R$ 500 milhões com ativos.

07/08/2014
Nelson Bastos, presidente estatutário da LBR: situação é cada vez mais grave.

Veja Também

Após três dias de assembleia geral de credores, a LBR - Lácteos Brasil recebeu propostas de 15 empresas pelos ativos que colocou à venda dentro de seu plano de recuperação judicial. As ofertas, que poderão ser elevadas hoje com a entrega dos envelopes pelas empresas, deverão gerar R$ 500 milhões para que a companhia de lácteos pague seus credores, estimou ontem o presidente estatutário da LBR, Nelson Bastos.

Aos credores, Bastos lembrou que a situação é grave. "A empresa não tem condições de esperar mais 30 dias por mais uma etapa desse processo", disse, em referência a uma proposta apresentada pelo Banrisul. O banco sugeriu a suspensão da assembleia para que um perito designado pela Justiça realizasse outra avaliação das 14 unidades produtivas isoladas (UPIs) que a LBR pôs à venda, mas esse plano não avançou.

Segundo Bastos, as dificuldades - especialmente para a compra de embalagens - já levaram a LBR a fechar as unidades de Governador Valadares (MG), Fazenda Vilanova (RS) e São Luiz dos Montes Belos (GO), o que reduziu seu faturamento mensal de cerca de R$ 200 milhões, no início do ano, para R$ 100 milhões em julho. As unidades de Tapejara (RS), Barra Mansa (RJ) e Guaratinguetá (SP) também estão na iminência de deixar de operar, afirmou ele.

Já na unidade de Garanhuns (PE), onde emprega 140 trabalhadores, a LBR só tem condições de operar por mais 15 dias, disse ao Valor o presidente do sindicato que representa as empresas de lácteos de Pernambuco (Sintulpe), Luiz Alberto Menezes.

Ao todo, 15 empresas efetivaram propostas por ativos da LBR nos três dias da assembleia geral de credores (de segunda a quarta-feira). Todas ainda terão a oportunidade de dar uma última cartada, na entrega dos envelopes fechados com as propostas definitivas. Após a abertura dos envelopes, a LBR fará uma espécie de recomendação aos credores. A partir daí, os credores poderão votar sobre as propostas. Não se sabe, porém, se haverá algum tipo de suspensão da assembleia antes dessa apreciação.

Entre as 15 empresas que fizeram propostas, estão as francesas Lactalis e a venezuelana Unaquita. Na segunda-feira, a Lactalis se propôs a pagar R$ 250 milhoes à vista por cinco UPIs da LBR: Líder, Fazenda Vila Nova, Barra Mansa, Boa Nata (unidades em Curral Novo e Pouso Alto e a marca Boa Nata) e Poços de Caldas. Além das UPIs, a proposta também envolve a aquisição de sede, escritórios administrativos e "outras atividades de suporte" da LBR. A Lactalis condicionou sua proposta à restrição dos contratos de uso da marca Parlamat que a LBR tem no Brasil. No mundo, a francesa é dona da marca.

Já a Unaquita tem duas propostas - uma feita em julho e outra na segunda-feira. Na primeira, propôs o pagamento de R$ 535 milhões por sete unidades da LBR (São Gabriel, Líder, Fazenda Vila Nova, Barra Mansa, Ibituruna, Poços de Caldas e Bom Gosto) e pelo direito de uso da marca Parmalat até 2017 (quando vence a licença da LBR), além de assumir o consórcio que a LBR lidera nas unidades de Ibituruna e Guaratinguetá. A segunda prevê a compra das mesmas UPIs, mais a unidade Boa Nata, por R$ 385 milhões. Essas propostas não incluem o uso da marca Parmalat nem participação no consórcio.

Na terça-feira, com a continuidade da assembleia, Vigor, Agricoop, Tirol, ARC, Colorado, Jusssara, Bela Vista e Vale do Rio Doce também apresentaram suas propostas.

Ontem, Itambé, Tangará e Montes Belos elevaram as propostas que haviam feito em julho. A goiana Montes Belos passou a oferecer R$ 14,517 milhões pela UPI São Luiz dos Montes Belos. O montante seria pago em cinco parcelas trimestrais - a primeira de R$ 2,917 milhões e as quatro restantes de R$ 2 milhões, corrigidas pelo INPC.

Já a mineira Itambé, controlada por Vigor e Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (CCPR), elevou para R$ 70 milhões sua proposta pela UPI Tapejara, que inclui uma fábrica de UHT e leite em pó em Tapejara (RS). Os R$ 10 milhões adicionais que a Itambé ofereceu seriam pagos por meio da assunção de dívidas da LBR com a fabricante de embalagens Tetrapak.

A Tangará Foods, com sede no Espírito Santo, elevou a proposta pela UPI Fazenda Vilanova para R$ 20 milhões e alterou a forma de pagamento. Na nova oferta, se propôs a pagar R$ 4 milhões à vista, R$ 11 milhões em até 120 dias e R$ 5 milhões em até cinco anos, corrigidos pelo IPCA. Deale e Marcelinense não enviaram representantes para a assembleia de ontem, mas suas propostas de julho seguem válidas. Ambas miram a UPI Gaurama, no Rio Grande do Sul. A Deale ofereceu R$ 4,3 milhões; a Marcelinense, R$ 2,8 milhões.

Fonte: Valor Econômico