Mercado reflete avanço de Dilma.

24/10/2014

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A possível vitória da presidente Dilma Rousseff no segundo turno da eleição estava ontem incorporada em até 80% dos preços dos ativos negociados. Os 20% restantes devem ser corrigi-dos em parte hoje e na segunda-feira.

Ontem, após a divulgação de pesquisas eleitorais mostrando vantagem de Dilma sobre o candidato do PSDB, Aécio Neves, além da margem de erro, a correção da bolsa, do câmbio e dos juros se acentuou. A BMF&Bovespa fechou em queda de 3,24%, aos 50.713 pontos, nível mais baixo desde abril. No ano, depois de subir durante alguns meses movida pela expectativa de derrota da presidente, a bolsa acumula variação negativa de 1,5%.

O real voltou a perder valor. Ontem, o dólar subiu 1,48%, cotado a R$ 2,51, a maior cotação desde dezembro de 2008, quando o país sofria os efeitos da crise mundial. No mercado de juros, os contratos com vencimento em 2017 e 2021 fecharam acima de 12% ao ano.

Desde a recuperação da presidente Dilma nas pesquisas o mercado se retraiu. Gestores de recursos estão evitando ativos de prazos mais longos e mantendo a preferência por dinheiro em caixa. "Haverá um 'sell-off' [venda de ações em massa] com a vitória de Dilma, mas não acreditamos que um governo Dilma 2 será tão ruim quanto o Dilma 1", diz Edwin Gutierrez, da Aberdeen Asset Management.

Integrantes do mercado acreditam que o "ajuste final" dos ativos será feito somente após o anúncio da nova equipe econômica. "Se não surgirem nomes capazes de dar alguma credibilidade à condução da política econômica o cenário só vai piorar", disse um gestor.

Fonte: Valor Econômico