Meta de expansão do crédito fica mais distante para bancos em 2014.

17/10/2014

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A pouco mais de dois meses do fim do ano, os bancos já alertam os investidores: bater as metas de expansão de crédito se tornou uma missão impossível em 2014. Por enquanto, nenhuma instituição revisou oficialmente seus números, mas o recado para analistas indica que as metas do início de 2014 se mostram agora exageradas.

Os bancos têm utilizado pelo menos dois fatores para justificar o distanciamento das metas. O principal deles é que, já próximo do fim de 2014, o que se vislumbra é que o crescimento econômico deve ficar próximo a zero. Somado a isso, o pacote de medidas para estimular o crédito lançado pelo Banco Central em julho ainda não surtiu efeitos significantes.

Menos alarmada pelos bancos, uma maior cautela nos desembolsos diante de uma expectativa de maior inadimplência também contribui.

Este é o segundo ano consecutivo em que as instituições financeiras precisam ajustar suas metas para baixo. Em 2013, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander (que não faz mais previsões) reduziram suas projeções, enquanto o Banco do Brasil (BB) chegou a elevar sua meta, algo já impensável neste ano.

Em reunião com analistas em Belo Horizonte nesta semana, o Itaú afirmou que sua carteira terá uma expansão de aproximadamente 8%, bastante abaixo dos 11,7% alcançados no ano passado - já desconsiderado o impacto da aquisição da Credicard. No início do ano, o Itaú esperava um crescimento entre 10% e 13% do saldo de operações.

Segundo o banco, a mudança se deve à menor expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que deve ficar próximo a zero. No início do ano, o Itaú Unibanco previa uma alta entre 2% e 2,5%.

O crédito será, porém, a única meta prevista no início de 2014 que não deve ser cumprida, segundo o Valor apurou. Os números para perdas com calotes, receitas de serviços e despesas operacionais continuam válidos. Por isso, o banco avalia manter suas projeções, mesmo sabendo que não atingirá seu objetivo para a carteira de empréstimos.

No Bradesco, o aviso aos acionistas é que dificilmente o banco conseguirá atingir a expectativa de uma evolução de 10%, piso da meta do banco. "Na visão da diretoria [do banco], o crescimento do crédito permanece um desafio e será difícil atingir o piso da projeção oficial, de 10% a 14%", escreveram os analistas do BTG Pactual em relatório. No dia 30, o banco inaugura a safra de balanço das instituições financeiras.

No BB, não há perspectiva de mudanças de projeções. O banco diz a interlocutores que "está perseguindo a meta", que é de expansão entre 14% e 18%, sem afirmar se conseguirá se encaixar na projeção. Até junho, o crescimento acumulado em 12 meses era de 13,8%.

Um empurrão externo também melhorará o desempenho do BB. O banco fechou recentemente a compra de uma grande carteira de financiamento de veículos do banco Votorantim, instituição da qual é sócio.

Em relação aos concorrentes, o BB conta com algumas vantagens, o que pode fazer com que tenha um desempenho mais forte do que eles. Atua, por exemplo no crédito agrícola, modalidade pouco explorada por outros bancos e na qual alcançou um crescimento de 23,7% até junho.

O BB também é o maior emprestador para servidores públicos federais via crédito consignado. No começo deste mês, o governo federal permitiu que esses funcionários ampliassem seus empréstimos de 60 meses para 96 meses. Para o INSS, que conta com a participação mais forte das instituições privadas, o prazo foi esticado em apenas 12 meses, para seis anos.

O próprio Banco Central já reviu sua projeção para o crescimento do crédito neste ano no país. Em junho, a autoridade reduziu de 13% para 12% a expansão anual do saldo. Até agosto, no acumulado de 12 meses, a alta somava 11,1%.

Outras expectativas têm se mostrado difíceis de ser cumpridas. Para o crédito imobiliário, a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) espera um crescimento 15% no valor financiado neste ano, mas nos primeiros oito meses do ano a expansão foi de 3,8% na comparação com igual período do ano passado. 

 

 

Fonte: Valor Econômico