Odebrecht Agro terá 'injeção' de até R$ 1,5 bi.

06/08/2014

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A Odebrecht Agroindustrial, braço sucroalcooleiro do grupo Odebrecht, convocará este mês seus acionistas, entre os quais a BNDESPar, para realizar um aumento privado de capital. A meta é captar R$ 1,5 bilhão entre os sócios. O grupo Odebrecht, que detém 56% de participação no negócio, já se comprometeu a aportar R$ 820 milhões, afirmou ao Valor o presidente da Odebrecht Agroindustrial, Luiz Mendonça.

O aumento de capital é o segundo passo anunciado neste ano pela Odebrecht Agro para equacionar sua estrutura de capital e garantir investimentos nesta e nas próximas duas safras. A primeira medida foi a venda dos ativos de cogeração, por R$ 3,7 bilhões, à Odebrecht Energia Renovável, subsidiária criada pelo grupo para investir em energia limpa. Até 31 de março, essa alienação de ativos significou uma desalavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) da ordem de R$ 1,1 bilhão - R$ 478 milhões via transferência de dívida e R$ 628 milhões em caixa.

Até março de 2015, vão entrar no caixa os R$ 2,6 bilhões restantes dessa operação. "Considerando o aumento de capital do grupo Odebrecht, de R$ 820 milhões, teremos uma redução (pro-forma) de cerca de R$ 3,5 bilhões na nossa dívida líquida", afirmou Mendonça. Em 31 de março deste ano, a Odebrecht Agroindustrial informava um endividamento líquido de R$ 10,8 bilhões e uma receita líquida de R$ 2,6 bilhões.

Os recursos - tanto os provenientes da venda da cogeração quanto os do aumento de capital - vão garantir os investimentos de R$ 2,3 bilhões já aprovados pelo conselho da empresa para o triênio que começou nesta safra 2014/15, explica o executivo. O orçamento prevê injetar R$ 900 milhões em 2014/15 (basicamente plantio de cana-de-açúcar), R$ 700 milhões em 2015/16 e outros R$ 700 milhões em 2016/17. "Obviamente, se houver melhora do cenário para o etanol, podemos acelerar os investimentos. Se o quadro piorar, podemos questionar alguns deles", observou Mendonça.

Nas nove usinas que detém - em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás - a Odebrecht Agroindustrial deverá processar nesta temporada 2014/15 em torno de 27 milhões de toneladas de cana, 20% acima das 22,5 milhões de toneladas de 2013/14. Em duas safras, até 2016/17, a empresa pretende atingir a moagem de 32 milhões de toneladas.

O presidente da companhia preferiu não comentar sua expectativa quanto à postura dos demais acionistas da Odebrecht Agro sobre o aumento de capital. "Eles vão se manifestar na AGE [Assembleia Geral Extraordinária]. Todos têm sua estrutura de governança interna. Não tenho um guidance a anunciar sobre essa questão", disse Mendonça.

Com uma fatia de 14,4% da Odebrecht Agroindustrial, a BNDESPar, se participar integralmente da chamada de capital, terá de injetar cerca de R$ 210 milhões. Já o fundo Ashmore, com 13,1%, teria que colocar em torno de R$ 189 milhões para não ter sua participação no negócio diluída. A Tarpon Investimentos, com 2,4%, teria que aumentar seu capital em aproximadamente R$ 34,6 milhões.

Se a captação atingir R$ 1,5 bilhão, a estrutura de capital da Odebrecht Agroindustrial passará a ser composta por 15% de equity (capital dos sócios) e 85% de dívida, ante uma proporção atual de 2% e 98%, respectivamente, explicou o vice-presidente de Finanças da companhia sucroalcooleira, Alexandre Perazzo.

Esse plano estratégico, que culminou na venda da cogeração e agora na capitalização de R$ 820 milhões, já vinha sendo desenhado pelo grupo há alguns meses, disse Mendonça. Segundo ele, a companhia segue "realista" no curto prazo, mas otimista nas perspectivas de rentabilidade do etanol no longo prazo. Questionado sobre se a empresa espera um reajuste dos preços da gasolina após as eleições, Mendonça se limitou a dizer que em algum momento o Brasil terá que corrigir esse rumo. "Essa correção está cada vez mais próxima".

A companhia também espera que a capitalização seja uma aliada na renegociação já iniciada com os bancos credores. Além do alongamento dos vencimentos, a empresa busca uma redução do custo da dívida. Em 31 de março deste ano, o endividamento bancário de curto prazo da companhia sucroalcooleira era de R$ 5,275 bilhões. Mendonça informou que cerca de metade desse montante já foi alongado com os bancos. "Temos compromisso dos nossos credores de seguir com essa renegociação. O ideal é ter, no máximo, 20% dos vencimentos no curto prazo", afirmou Mendonça.

Fonte: Valor Econômico