Recuo do milho nos EUA afeta resultado global da Syngenta.

24/07/2014
Mike Mack, CEO da Syngenta: crescimento "robusto" fora da América do Norte.

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A suíça Syngenta, uma das mais importantes companhias de sementes e defensivos agrícolas do mundo, anunciou ontem que registrou lucro líquido global de US$ 1,39 bilhão no primeiro semestre de 2014, 1% menor que no mesmo período do ano passado. Já a receita da múlti cresceu também 1% na comparação, para US$ 8,51 bilhões.

Em comunicado que acompanhou a divulgação do balanço, o CEO da Syngenta, Mike Mack, diz que as condições climáticas adversas na América do Norte, que retardaram o plantio de milho, combinadas à redução na área de cultivo do cereal nos EUA, impactaram o segmento de proteção de cultivos da empresa. Mas, segundo ele, "o crescimento nas demais regiões foi robusto". No trimestre encerrado em 30 de junho, as vendas da Syngenta somaram US$ 3,83 bilhões, patamar semelhante ao do mesmo período do ano passado.

Mack disse esperar uma elevação de 6% nas vendas integradas da múlti no ano. O CEO prevê uma aceleração da comercialização no segundo semestre, puxada pela América Latina. De janeiro a junho deste ano, o desempenho da companhia na região melhorou, apesar da seca no Brasil e na Argentina, que reduziu as vendas de herbicidas seletivos. De acordo com a empresa, o ataque da lagarta helicoverpa contribuiu para uma elevação "significativa" nas vendas de inseticidas no Brasil, onde a comercialização de fungicidas também aumentou "acentuadamente".

É também no Brasil onde a Syngenta renovou suas apostas no segmento de cana-de-açúcar. Ontem, a múlti anunciou que integrará uma nova tecnologia à sua plataforma Plene, que oferece soluções para o plantio de cana-de-açúcar. A tecnologia, chamada Ceeds, foi desenvolvida em parceria com a canadense New Energy Farms e permite a produção de Plene em escala comercial. A expectativa é que a comercialização tenha início em 2017, com um mercado-alvo de cerca de 2 milhões de hectares plantados por ano no Brasil.

O Plene foi lançado em 2010, mas retirado de circulação em 2012 por problemas técnicos. Consistia no plantio de uma espécie de "semente" (gema única) de cana - uma quebra de paradigma do segmento sucroalcooleiro, que normalmente usa parte da lavoura do vegetal para produzir mudas. No fim do ano passado, a empresa voltou à carga e lançou o Plene Evolve e o Plene PB, utilizados para a produção de viveiros e preenchimento de falhas nas lavouras. A tecnologia Ceeds é complementar a essas duas, de acordo com a Syngenta.

Também ontem, a multinacional americana Dow Chemical reportou que sua divisão agrícola atingiu vendas recordes de US$ 1,9 bilhão no segundo trimestre de 2014, um incremento de 3% ante o mesmo período de 2013.

No acumulado do primeiro semestre, a receita do segmento alcançou US$ 4 bilhões, 1,8% mais que entre janeiro e junho do ano passado - e também um recorde para o período. O faturamento total da companhia química ficou em US$ 29,37 bilhões no primeiro semestre; o lucro líquido atingiu US$ 2,02 bilhões.

Na terça-feira passada, a também americana DuPont divulgou que seu braço agrícola registrou queda de 11,1% no lucro operacional durante o segundo trimestre deste ano, ante o mesmo intervalo de 2013, a US$ 836 milhões. Apesar dos ganhos mais modestos, a receita líquida da divisão totalizou US$ 3,615 bilhões, nível próximo ao do mesmo período do ano passado.   

Fonte: Valor Econômico