Soja ainda tem prêmios positivos no Brasil em plena colheita americana.

08/10/2014

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Nesta terça-feira (7), o mercado internacional da soja registrou uma sessão de intensa volatilidade e, depois de registrar momentos de altas de dois dígitos, fechou o dia com perdas de pouco mais de 1 ponto nos principais vencimentos, com exceção do contrato maio/15, referência para a safra brasileira, que terminou a sessão subindo 1 ponto, cotado a US$ 9,65 por bushel.

Assim, os preços registraram mais uma sessão de estabilidade no Brasil, tanto nos portos quanto no interior do país. No terminal de Rio Grande, houve uma baixa de 0,86% com o valor encerrando os negócios em R$ 57,50 e, em Paranaguá, o recuo foi de R$ 0,36% para R$ 55,80. Em praças como Tangará da Serra/MT e Luís Eduardo Magalhães/BA, foi registrada uma pequena baixa de pouco mais de 0,9%, enquanto em Jataí/GO, o valor caiu 0,26% para R$ 49,87 por saca.

A volatilidade dos futuros em Chicago veio acompanhada, nesta terça, de mais um dia negativo para o dólar frente ao real. A moeda norte-americana recuou 1% pela terceira sessão consecutiva e terminou o dia valendo R$ 2,40. O mercado financeiro responde ainda à chegada de Aécio Neves ao segundo turno e à expectativa de que Marina Silva anunciará seu apoio ao candidato do PSDB à presidência.

Com os atuais patamares de preços praticados tanto no mercado brasileiro quanto no mercado americano, não há interesse de venda por parte dos produtores, o que tem resultado, inclusive, em uma enorme demanda por silos-bolsa nos EUA, o que não é comum, segundo explica o consultor de mercado Carlos Cogo, da Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.

Dessa forma, os prêmios nos portos brasileiros, em plena colheita norte-americana de uma enorme safra, continuam positivos e indicando que a demanda mundial pela soja permanece aquecida e dando suporte à formação dos preços nacionais. Para entrega novembro, o valor em Paranaguá é de 90 cents de dólar acima de Chicago e para abril e maio de 2015 o prêmio é de 59 cents.

"O Brasil já exportou, no acumulado até setembro, mais do que exportou em todo o ano passado inteiro, isso é uma prova de que o mercado está super aquecido e que há interesse de compra, mas não há interesse de venda", explica o consultor.

Na Bolsa de Chicago

Na Bolsa de Chicago, o mercado operou com um movimento técnico de correção e realização de lucros depois das fortes altas registradas na sessão anterior de mais de 30 pontos. O foco do mercado continua sendo, no entanto, nas informações sobre o quadro climático tanto no Meio-Oeste americano quanto no Brasil.

O excesso de precipitações continua atrasando a colheita nos EUA que, até o último domingo (5) estava concluída em 20% da área, contra 35% da média dos últimos cinco anos. O Serviço Nacional de Meteorolgia dos Estados Unidos seguem mostrando a continuidade das chuvas nesta semana, principalmente nas áreas centro e sul do Meio-Oeste.

Por outro lado, os reportes de produtividade continuam apontando para números bastante expressivos em importantes estados produtores e o mercado aposta ainda em uma correção positiva nas estimativas para o rendimento das lavouras norte-americanas e, consequentemente, da produção de soja nos Estados Unidos que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) atualiza na próxima sexta-feira (10) em seu novo boletim mensal de oferta e demanda.

"O mercado fica volátil, não compra essa ideia, mas cria um piso interessante para os preços, entre US$ 9,40 e US$ 9,50, sem aquela ameaça de que os preços poderiam ir aos US$ 8,00 por bushel em cima desse nervosismo diante da colheita nos Estados Unidos, e também com o atraso do plantio no Brasil", diz o consultor de mercado Carlos Cogo.

No Brasil, o plantio da nova safra de soja já configura um atraso com a falta de chuvas adequadas, principalmente na região Centro-Oeste e, com o excesso de precipitações no Sul do país. Até o último final de semana, a semeadura brasileira estava concluída somente em pouco mais de 4% da área estimada. "Depois de finalizada a colheita norte-americana, esse deverá ser o principal foco do mercado", afirma Cogo.

Fonte: http://www.noticiasagricolas.com.br