Vanguarda deve reduzir em 4% área de plantio no ciclo 2014/15;

05/08/2014
Moura, CEO da Vanguarda: apesar da redução da área em 2014/15, empresa está atenta a oportunidades de aquisição.

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A Vanguarda Agro, uma das principais produtoras de grãos e fibras do país, pretende diminuir em 4% sua área plantada na safra 2014/15 em relação ao ciclo anterior, para 270,3 mil hectares. "Essa redução se refere à devolução de áreas arrendadas, de terras com muita areia e baixa fertilidade", disse ontem Arlindo de Azevedo Moura, CEO da companhia, em teleconferência com analistas para comentar resultados trimestrais divulgado na sexta-feira.

Conforme Moura, a área com soja deverá ser praticamente a mesma de 2013/14, em torno de 177 mil hectares. A nova safra da oleaginosa começará a ser cultivada em setembro. Já os plantios de algodão e milho tendem a recuar em função dos preços pouco atrativos das duas commodities.

No caso do algodão, a previsão é de corte de 17% na área, para 31,7 mil hectares. Para o milho, a expectativa é de redução de 10%, para 38,4 mil hectares. A companhia também decidiu inovar e testar o cultivo de um "milho alternativo", em substituição ao sorgo - que tem perspectivas de margens negativas. A ideia é semear 11,5 mil hectares com milho de tecnologia inferior e custo mais baixo na segunda safra. "Com o preço ruim do grão, temos que fazer experiências. Nossa expectativa é conseguir 50 sacas de produtividade, a um custo de 40 sacas", afirmou Moura.

De acordo com o executivo, a estratégia deriva do modelo de soja de segunda safra implantado no ano passado. Apesar das preocupações do setor com as consequências agronômicas de se plantar soja seguida de soja, a Vanguarda vê vantagens na operação. "Foi muito rentável. Colhemos 38 sacas da oleaginosa em 2013/14, a um custo de 28 sacas", disse. Essa avaliação positiva estimulou a empresa a elevar em 18% a área que deverá dedicar à soja safrinha no novo ciclo, para 12 mil hectares.

Na sexta-feira, a Vanguarda anunciou um prejuízo líquido de R$ 29,8 milhões no segundo trimestre de 2014, ante um resultado líquido também negativo de R$ 61,2 milhões no mesmo intervalo de 2013. No acumulado do primeiro semestre, porém, a empresa registrou lucro líquido de R$ 3,3 milhões, ante prejuízo de R$ 112,5 milhões em igual período de 2013. Já a receita líquida apresentou queda de 7,2% no segundo trimestre e alta de 20,6% no primeiro semestre de 2014 - para R$ 267,5 milhões e R$ 595,4 milhões, respectivamente.

A Vanguarda já comercializou 20% da safra 2014/15 de soja, ao preço médio de US$ 10,28 por bushel (ou US$ 22,66 por saca), valor considerado "bom" por Moura. A empresa negociou também 10% da colheita de algodão prevista para 2014/15, à média de 86 centavos de dólar por libra-peso.

Na teleconferência, Moura sinalizou que estão "aceleradas" as conversas junto ao conselho da Vanguarda para possíveis compras de terras nos próximos meses. "É normal que em ano de queda nos preços das commodities surjam oportunidades de aquisições de terras, e temos de estar preparados", afirmou. Conforme o executivo, o "momento de compra" pode aparecer neste segundo semestre de 2014, ou mesmo no início do ano que vem.

Fonte: Valor Econômico