Vendas de máquinas agrícolas tendem a estabilidade ou leve queda em 2015.

26/12/2014

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A patinada da economia brasileira este ano e os preços mais baixos das commodities agrícolas, que afetaram a renda do produtor, fizeram as vendas internas de máquinas agrícolas recuarem cerca de 15% depois de um desempenho recorde em 2013, segundo estimativas de representantes do setor. A expectativa para 2015, um ano que ainda deve ser de dificuldades na economia, é de estabilidade na comercialização ou ligeira queda em relação a 2014.

De janeiro a novembro deste ano, as vendas internas de máquinas das montadoras para as revendas caíram 16,6% na comparação com igual período de 2013, para 64.360 unidades, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O volume ainda inclui pequeno percentual de máquinas rodoviárias.
No início deste ano, a associação previa estabilidade na comercialização de máquinas agrícolas em 2014, mas, em julho, divulgou uma estimativa mais pessimista: recuo de 12% ante 2013, para 73 mil unidades. Ainda assim, se confirmado o volume, o resultado de 2014 será melhor que o de 2012, quando 70,1 mil unidades foram comercializadas. A Anfavea ainda não divulgou projeções para 2015.

Apesar da redução nas vendas, a maioria das empresas do setor considera que os resultados em 2014 não foram tão negativos. A Case IH, marca da multinacional CNH Industrial, deverá fechar 2014 com alta de 6% a 7% em seu faturamento no país sobre 2013, segundo Mirco Romagnoli, vice-presidente da Case IH para a América Latina. "É um bom resultado", afirma.
Segundo ele, o crescimento da receita se deve à comercialização de produtos de maior valor agregado e à redução de custos. Afora isso, a Case IH conseguiu aumentar sua participação no mercado nacional de tratores, ao oferecer equipamentos de menor potência. Até o ano passado, a marca estava mais limitada a tratores de alta potência, diz Romagnoli.
Um dos segmentos em que a Case IH apresentou leve crescimento este ano foi o de colheitadeiras para grãos. E embora o setor de cana-de-açúcar tenha tido desempenho ruim este ano, a marca conseguiu elevar sua receita nessa área em função da consolidação de tecnologia em colhedora de cana, segundo o executivo. O maior crescimento foi observado na comercialização de máquinas voltadas a pequenos agricultores.

Paulo Herrmann, presidente da John Deere no Brasil, afirma que a participação das vendas de tratores (de todas as empresas) na faixa de até 100 cavalos de potência no mercado brasileiro subiu de 53% para 60% este ano. Em parte, a demanda foi impulsionada por programas de incentivo à aquisição de máquinas do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), como o Mais Alimentos. Outro motivo, segundo Herrmann, é a incorporação de tecnologias e mecanização por parte dos agricultores de pequeno porte.
De acordo com Alessandro Maritano, vice-presidente da New Holland Agrícola para a América Latina, marca da CNH Industrial, os grandes produtores agrícolas - que demandam máquinas mais potentes e sofisticadas -, anteciparam as compras em 2013, o que pode ter influenciado o resultado das vendas este ano. "Não podemos falar de crise, mas de um ajuste de mercado", afirma.

Na contramão da tendência vista no setor, a americana AGCO teve um aumento de participação no mercado de tratores de maior potência, principalmente com gama média de 200 cavalos, de acordo com Bernhard Kiep, vice-presidente de marketing da AGCO para América do Sul. Ele acrescenta que as vendas de equipamentos que saem de fábrica com tecnologias embarcadas para agricultura de precisão mais que dobraram este ano frente a 2013.

As vendas de máquinas de menor potência para pequenos agricultores devem continuar a avançar em 2015, não somente os tratores, mas plantadeiras e pulverizadores, na avaliação de Romagnoli, da Case IH. Entretanto, a demanda também dependerá do andamento dos programas governamentais para o setor.
Romagnoli estima ainda que o mercado de máquinas agrícolas em geral ficará estável em 2015, ou até um pouco abaixo de 2014. Na avaliação do executivo, o primeiro trimestre de 2015 deve ter vendas fracas em virtude da falta de regulamentação do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) e do Moderfrota - programas de financiamento do BNDES -, mas depois haverá uma recuperação.

A definição sobre os dois programas só saiu nos últimos dias. No caso do Moderfrota, o governo manteve os juros em 4,5% ao ano em operações tomadas por pequenos e médios clientes e 6% ao ano para grandes clientes até 30 de junho de 2015. No segundo semestre do ano que vem, entretanto, as taxas serão rediscutidas e tendem a subir, na esteira do que ocorreu com o Programa de Sustentação do Investimento (PSI). Na semana passada, o governo elevou os juros do PSI para uma faixa entre 6,5% e 11%, dos atuais 4% a 8% ao ano.

Este ano, as vendas de colheitadeiras já foram prejudicadas pelo atraso de regulamentação do PSI para 2014. Isso contribuiu para que a John Deere demitisse funcionários temporários de sua fábrica em Horizontina (RS), no segundo semestre. Conforme Herrmann, presidente da empresa, foram ajustes pontuais.
Ele também estima que o mercado em 2015 será parecido com 2014. E enfatiza que o cenário ainda é positivo para a agricultura, com expectativas de o país produzir uma safra de 200 milhões de toneladas de grãos. "Este [2014] ainda foi o segundo melhor ano da história".

A demanda mundial crescente por alimentos e o potencial de abertura de novas áreas de cultivo no Brasil em pastagens degradadas também devem garantir um cenário positivo no longo prazo para as vendas do setor, acredita Maritano, da New Holland Agrícola.
Já Kiep, da AGCO, vê um cenário nebuloso para 2015. Ele avalia que o mercado de máquinas dependerá de fatores ligados ao cenário macroeconômico brasileiro, da condução de políticas (como a cambial) e das definições sobre os recursos do BNDES para as linhas de financiamento ao setor.

Fonte: http://www.icna.org.br/