Yara compra fatia de 60% da Galvani por US$ 318 milhões.

06/08/2014
Hanzen (esq.) e Galvani Jr.: acordo entre Yara e Galvani deverá elevar a produção.

Veja Também

A multinacional norueguesa Yara deu mais um passo importante para fortalecer sua operação no Brasil. Depois de formalizar, no ano passado, a aquisição dos negócios de distribuição de fertilizantes da Bunge no país, a empresa anunciou ontem que fechou acordo para adquirir 60% da brasileira Galvani, por US$ 318 milhões. Com o negócio, a companhia "entra" na produção integrada de fertilizantes fosfatados.

Segundo o acordo, US$ 132 milhões se referem aos negócios existentes e US$ 186 milhões a projetos de mineração e produção da Galvani. O montante poderá ser ajustado por alguma variação do capital de giro normalizado no momento da conclusão do negócio. A transação depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e sua conclusão está prevista para o quarto trimestre.

Já líder em vendas de fertilizantes ao consumidor final no país, com 25% de participação (8 milhões de toneladas por ano), a Yara produz cerca de 1 milhão de toneladas de fertilizantes fosfatados por ano, o mesmo volume da Galvani. A receita da Yara no país no ano passado foi de R$ 5,6 bilhões, quase 50% a mais em relação a 2012.

Com três unidades de produção de fosfatados na região Sul, hoje abastecidas com rocha fosfática e ácido fosfórico importados (usados na fabricação dos adubos fosfatados), a Yara está presente nos principais polos de produção agrícola brasileiros com 32 unidades misturadoras e um centro de distribuição.

Já a Galvani tem dois complexos industriais (em Paulínia-SP e Luís Eduardo Magalhães-BA), três minas de fosfato (em Lagamar-MG, Angico dos Dias-BA e Irecê-BA), além de um terminal portuário em Fortaleza (CE) e duas unidades de distribuição (em Alto Araguaia -MT e Maruim-SE). No ano passado, o faturamento da empresa foi de R$ 834 milhões, 4% superior a 2012.

A Yara é marcadamente uma produtora global de adubos nitrogenados, mas, no Brasil, o uso de nitrogênio é cerca de 50% menor que em outros grandes produtores agrícolas, por causa da forte participação da soja, que demanda menos esse nutriente. Mas o país precisa mais de potássio e fosfato, explica Lair Hanzen, presidente da Yara Brasil. Dessa forma, a Yara, com o acordo com a Galvani, terá acesso a uma produção integrada desde a mineração da rocha até a produção de adubos fosfatados em regiões de expressivo crescimento agrícola, como o Centro-Norte e o Nordeste, de acordo com Hanzen. "É muito mais o que representa no futuro do que agora", afirma o executivo sobre o negócio.

Os projetos da Galvani, alguns greenfield e outros de ampliação, deverão possibilitar o incremento de produção de rocha fosfática da empresa das atuais 500 mil toneladas para 2,55 milhões de toneladas. E a produção de fertilizantes fosfatados poderá saltar de 1 milhão para até 4 milhões de toneladas, diz Rodolfo Galvani Júnior, presidente do conselho de administração da Galvani. Os principais projetos da companhia estão localizados em Salitre (MG), Angico (BA) e Santa Quitéria (CE).

Conforme informou o Valor em março, a Galvani procurava parceiros para levar adiante esses projetos, cujos investimentos são estimados em US$ 920 milhões. "Estamos muito felizes com esse acordo. A Yara é um parceiro ideal. A parte financeira [dos projetos] fica melhor equacionada", diz Galvani Júnior.

Os projetos da Galvani deverão ser concluídos em três a cinco anos. A Yara se compromete a apoiá-los, mas não significa que colocará todos os recursos, lembra Hanzen. Ele enfatiza que as duas empresas vão continuar trabalhando de forma independente.

Hanzen também diz que a Yara busca balancear melhor a equação distribuição/produção. A companhia distribui 8 milhões de toneladas no Brasil, mas produz apenas 1 milhão. A ideia é aumentar a produção, mas ainda não há uma estimativa de quanto poderá crescer a partir do acordo com a Galvani. Globalmente, a Yara produz volume muito pequeno de ácido fosfórico, cerca de 300 mil toneladas. Assim, com a Galvani, a operação brasileira de fosfatados será a maior para a múlti, conta Hanzen.

Galvani Júnior lembra que nos últimos dez anos as importações brasileiras de fertilizantes aumentaram 85%, enquanto a produção nacional desses produtos subiu apenas 26% e o consumo cresceu 52%. Os números mostram a necessidade de o Brasil não aumentar sua dependência por compras do exterior, hoje em torno de 70% da demanda doméstica.

O acordo entre as duas companhias deverá permitir, também, o desenvolvimento de produtos mais adequados ao clima e ao solo do país, com formulações específicas para cada região de produção.

A Yara chegou ao Brasil na década de 1970, com uma participação inferior a 1% no mercado doméstico. A fatia saltou para 8% com a aquisição da Adubos Trevo e para 10% em 2006, com a compra da Fertibras. Em 2013, passou a 25% após a aquisição dos negócios da Bunge. (Colaborou Fernanda Pressinott)

Fonte: Valor Econômico