Excesso de chuvas no RS aumenta preocupação com safra de trigo.

28/09/2015
Levantamentos preliminares apontam uma queda de até 10% na produção total (Foto: Xuanxu/CCommons).

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As chuvas acima da média registradas no Rio Grande do Sul nas últimas semanas, algumas vezes acompanhadas de granizo, aumentam a apreensão dos produtores com relação à safra de trigo que começa a ser colhida em outubro. O Estado também foi atingido por uma geada fora de época, com danos potenciais às lavouras, embora ainda difíceis de mensurar. Por enquanto, a percepção de técnicos e agricultores é de um cenário preocupante, já que a geada diminui a produção devido ao seu potencial destruidor, enquanto as chuvas influenciam a qualidade dos grãos.

Em relatório divulgado da última quinta-feira (24/9), a Emater-RS informou que levantamentos preliminares apontam para uma queda de até 10% na produção total prevista no Rio Grande do Sul, em consequência das intercorrências climáticas recentes. A entidade reconhece que, com a perspectiva de uma primavera chuvosa, coincidindo com o período de formação e de maturação de grão, o impacto final pode ser ainda mais relevante.

O presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (Fecoagro), Paulo Pires, estima desde já uma perda maior na produção. "Estávamos esperando uma safra de 2,5 milhões de toneladas. Com as geadas e a chuva acreditamos que ficará entre 1,8 milhão e 2 milhões de toneladas", afirmou, lembrando que o RS teve um encolhimento na área plantada depois de uma safra em 2014/2015 com quebra de quase 50% e comprometimento significativo na qualidade.

O maior temor é de que se repita o problema do ano passado, quando houve redução na oferta de trigo no Estado. Além disso, por causa da qualidade ruim, o produto disponível teve baixa aceitação no mercado e, de quebra, baixo valor de comercialização.

Pires explica que a previsão pessimista da Fecoagro se baseia nos relatos de produtores das regiões afetadas. "A geada fora de época simplesmente acaba com a produção do trigo quando é mais forte. Tem um efeito devastador", disse. "Já a chuva em excesso causa problemas de polinização e, consequentemente, de qualidade. A maior parte do trigo do Rio Grande do Sul está hoje em fase de floração, estágio que requer muita luz. Se continuarmos com as precipitações teremos um agravamento da expectativa."

O engenheiro agrônomo da Emater-RS, Alencar Paulo Rugeri, é mais cauteloso ao estimar os prejuízos para o trigo gaúcho. Segundo ele, a chuva forte foi mal distribuída no Estado, e algumas regiões, como a norte, não sofreram tanto.

Ele também pondera que, quando a geada atinge uma planta, a propriedade vegetal dela se mantém, e os grãos "sobreviventes" continuam sendo abastecidos pela energia gerada. Isso aumenta a possibilidade de se ter um grão bem nutrido, apesar da falta de luminosidade ocasionada pelo tempo nublado. "É como quando você planeja uma festa para 50 pessoas e só vão 5. Neste caso não falta comida", exemplificou. Na prática, de acordo este raciocínio, os grãos remanescentes podem ter boa qualidade.

Rugeri reconhece, no entanto, que a situação das lavouras, de forma geral, não é boa. "Geada, granizo, vento, chuva, falta de sol... Todos esses fatores formam um ambiente desfavorável", disse. "Setembro é o mês definidor da quantidade e qualidade da safra, e ele não está sendo generoso, está sendo bem cruel com os produtores, na verdade", resumiu.

Milho
A geada e as chuvas também afetam as lavouras de milho do Rio Grande do Sul, que estão em fase inicial de plantio. Neste caso, algumas áreas vão precisar de replantio, e o produtor deverá insistir no milho ou optar pela soja. De qualquer forma, o processo vai onerar os custos já inflacionados do agricultor.

Fonte: REVISTA GLOBO RURAL