Mais reclamações e protestos na Argentina.

18/07/2014

Veja Também

O presidente da Sociedade Rural da Argentina, Miguel Etchevehere, voltou a afirmar ontem, durante a abertura da 128ª edição da exposição agropecuária promovida todos os anos pela entidade, que o setor precisa de políticas de Estado para poder recuperar o nível de atividade.

"Em 11 anos, passamos da 3ª para a 13ª posição entre os países produtores de carne, enquanto nossas duas últimas colheitas de trigo foram as piores dos últimos 135 anos. Precisamos acabar com as travas que limitam a produção", destacou o dirigente, em referência ao sistema de controle das exportações do governo argentino.

Como de costume, nenhum representante do governo federal compareceu à abertura. O prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri, assumiu o papel da autoridade de destaque na abertura do evento, o mais importante do setor no país. Macri é um dos principais candidatos à eleição presidencial em 2015 e forte opositor da presidente Cristina Kirchner. Sua presença, ao lado de vários políticos de seu partido, o PRO, demonstra a aproximação do setor agropecuário com esse candidato oposicionista.

"É preciso liberar todas as restrições dos produtos exportados", destacou Macri. O governo federal usa o controle das exportações como forma de evitar a alta de preços e a falta de alguns produtos no mercado doméstico, como o trigo.

Enquanto Etchevehere e Macri discursavam na abertura da exposição, que vai durar até o próximo dia 27, a greve dos trabalhadores portuários do país ganhou força e paralisou, ontem, as exportações argentinas de grãos e derivadas pelo porto de Rosário, porta de saída da maior parte dos embarques de produtos agrícolas do país.

"Todas as atividades estão paradas. Não se pode carregar ou descarregar navios ou descarregar caminhões ou vagões ou barcaças. Está tudo parado", afirmou o gerente da Câmara de Atividades Marítimas (CAPyM) do país, Guillermo Wade, de acordo com relato da agência Reuters.

A Argentina é um importante país exportador de soja e derivados, milho e trigo. Ontem, contudo, a paralisação dos embarques não alterou o rumo das cotações dessas commodities na bolsa de Chicago.

Fonte: Valor Econômico