Tereos fortalece sua atuação em amidos.

24/07/2014

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Com investimentos de € 50 milhões, o Grupo Tereos, que no Brasil detém usinas de cana e produção de amidos, inaugurou ontem a primeira fase de sua primeira fábrica de processamento de milho do país. A unidade, localizada em Palmital, interior de São Paulo, vai processar 150 mil toneladas do grão por ano e dará condições para o grupo reforçar a disputa por uma fatia do mercado de amidos e derivados no país.

A fábrica foi instalada ao lado da planta de produção de amidos a partir de mandioca, cujo controle (70%) foi adquirido pelo grupo em 2011 da paulista Halotek-Fadel - também com capacidade para 150 mil toneladas anuais.

O diretor da unidade de Palmital, o francês Phillippe Roux, afirmou que o projeto, que deverá consumir mais € 50 milhões nos próximos anos, prevê a duplicação da fábrica de milho e a ampliação da linha de produtos. "O portfólio de amidos do grupo Tereos é de cerca de mil itens diferentes. Nessa primeira etapa, estamos produzindo apenas 50 deles em Palmital", justifica Roux.

Ainda não há data definida para a conclusão do projeto, esclarece o diretor da divisão Brasil do grupo Tereos, Jacyr Costa Filho. Será determinante na tomada de decisão, segundo ele, o comportamento do mercado. "Os amidos não são commodities. Você conquista cliente por cliente e cada um deles demanda um produto diferente, com uma especificação", explica.

O grupo Tereos, que registrou receita líquida de € 4,7 bilhões em 2013/14, não divulga sua expectativa de faturamento de curto prazo com o complexo de Palmital. Mas projeta que o montante vai alcançar R$ 350 milhões por ano quando a unidade de milho estiver operando com o dobro da capacidade atual.

O complexo de Palmital responde por 10% da capacidade de processamento de amidos que o grupo Tereos tem na Europa, onde ocupa o terceiro lugar nesse segmento. Roux explica que o município paulista é estratégico para a empresa, pois está tem a um raio de 100 quilômetros de uma oferta de mandioca superior a 800 mil toneladas anuais.

Além disso, explica o diretor da unidade, está na rota de escoamento de milho de Mato Grosso para os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR). "Isso nos permite aproveitar as melhores oportunidades de preços do grão. Distribuímos nossa compra de milho entre Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de São Paulo", destaca o diretor da unidade.

A companhia também vem se posicionando nesse mercado na Ásia. Em julho de 2012, anunciou a criação de uma joint venture com a multinacional de Cingapura Wilmar na construção de uma unidade de amidos na China.

Em abril de 2013, ampliou a parceria no mercado chinês com a Wilmar, ao comprar conjuntamente uma fábrica de amidos à base de milho. Em janeiro deste ano, anunciou uma parceria com a FKS, um dos principais grupos agroindustriais da Indonésia, com o qual comprou 50% da Redwood, única produtora de amidos do país asiático.

Fonte: Valor Econômico